SÃO LUÍS – O Teatro Arthur Azevedo foi palco de uma noite que cantou e encantou o público: a abertura do 38º Festival Maranhense de Coros (Femaco), que ocorreu na sexta-feira, 26, emocionando o público presente com canções que marcaram gerações e que animaram os presentes com os mais variados repertórios. O evento prolongou-se até ontem, 28, promovido pela Pró-Reitoria de Extensão, Cultura e Empreendedorismo (Proexce) e o Departamento de Assuntos Culturais da UFMA (DAC), fazendo parte da comemoração dos 52 anos da Universidade.
Reunindo 35 corais de cinco estados do Brasil, o Femaco já é tradição e é considerado atualmente o maior evento do canto coral no Maranhão e um dos dez maiores do Brasil. A diretora do DAC, Fernanda Pinheiro, pontuou o papel de integração entre os corais locais e nacionais promovido pelo Femaco, além de reforçar o ideal de extensão da própria Universidade.
“Esse é um importante evento que congrega todos os corais, tanto daqui quanto de outros estados. Ele promove exatamente esse intercâmbio entre os corais, além de ser um grande incentivador da criação de novos grupos. E faz parte do papel social da Universidade, que é promover um momento de boa música oferendo um espaço para a própria população de São Luís usufruir em três dias desta programação”, pontuou.
A primeira edição do Femaco ocorreu em 1977 e, após uma pausa em 2012, que durou quatro anos, voltou a ser realizado e se tornou um marco na programação anual da cidade. A reitora Nair Portela ressaltou a característica histórica do evento e o seu papel na divulgação do canto coral no estado.
“Este é um grande evento na nossa cultura, uma grande difusão do canto coral, além de ser extremamente importante para o desenvolvimento da formação de corais. O Femaco tem esse papel histórico, e a partir dele vários coros foram criados em empresas, escolas e organizações comunitárias. É por meio dos corais que se desenvolve o amor à arte e à música, e isso faz a integração de pessoas, difundindo a nossa cultura, fazendo a ligação com os corais de outros estados”, frisou.
Cantando com as mãos
Uma das atrações da noite foi o coral de libras “Somos um Só”, do Instituto Federal do Maranhão que, por meio da linguagem de sinais, interpretou os sucessos “Xote da Alegria”, da banda Falamansa, e “Natiruts Reggae Power”, da banda Natiruts. A regente do coral, Michelle Lima, apontou que, apesar de alguns obstáculos, o coral de libras serve como uma forma de desconstruir preconceitos relacionados as pessoas surdas.
“Existem alguns desafios relacionados a orçamento, mas um desafio que eu quero destacar é sobre a própria pessoa surda porque a maioria da sociedade ouvinte não reconhece o surdo como uma pessoa autônoma para várias coisas, inclusive para apresentações artísticas como essa. E nós estamos aqui provando que é, sim, possível”, afirmou.
O coral foi criado em 2014 e atualmente conta com vinte integrantes. Um deles é Brian Ítalo da Silva, que relata a sua experiência com o coral de libras como forma de estimular a aprendizagem e a própria vivência com a Língua Brasileira de Sinais: “Desde o início do ensino médio, eu tive contato com surdos, mas nunca tinha aprendido libras de verdade, apenas o básico. Então, quando eu conheci esse coral, eu vi nele um grupo que me acolheu e daí eu passei a me habituar com a linguagem. A partir daí, fui aprimorando os meus conhecimentos e hoje estou aqui crescendo com todos eles”.

