Fui ao Araçagi neste domingo, 5 de julho, visitar um casal de idosos, como procedo todos os fins de semana, pois esse casal está sofrendo com o isolamento provocado pela pandemia Coronavírus. Fiquei assustado com a quantidade exagerada de veículos que se dirigiam para aquela região praieira de nossa ilha. Além disso, há uma obra estruturante na região que se arrasta de maneira mais lenta que o andar de tartarugas, fato que torna a viagem bem desconfortável e estressante considerando a irritação ou inquietação dos condutores de veículos automotores.
Com essa justificativa de minha ida a famosa Praia do Araçagi, o fato mais grave que constatei foi à maneira como a nossa população parece que não teme os efeitos da pandemia do covid 19, uma vez que avalanche de carros e pessoas que estavam naquele sítio geográfico era algo fora do comum, pois todos os locais de estacionamentos da avenida principal daquela praia estavam literalmente ocupados e uma fila interminável de veículos se engarrafava em direção ao mesmo lugar, provocando uma viagem que em vez de lazer e entretenimento, as pessoas ficavam irritadas e fizeram com que muitas famílias desistissem e fosse procurar outro lugar para curtir o dia ensolarado da domingueira.
Os dois lados da avenida estavam totalmente tomados de carros, inclusive várias entradas de garagens de residências daquela praia foram obstruídas causando também problemas de mobilidades a diversos moradores para entrar e sair de suas casas. Eu mesmo fui uma dessas vítimas na visita que fiz ao casal de idosos referenciado no início desta crônica. O pior de tudo é que não vimos nenhum agente público para disciplinar o trânsito naquele espaço, então os flanelinhas e os próprios condutores é quem faziam suas leis, nem sempre alicerçadas no bom senso quando se relaciona a ocupação do espaço disponível.
Como é sabido, a Praia do Araçagi pertence ao município de São José de Ribamar, mas a grande maioria do povo que se dirigiu àquela praia era moradora da cidade de São Luís. Foi uma aventura chegar e sair daquela região e nossa indignação ficaram aflorados com tamanha insensatez do público que ali estava, considerando que ainda não estamos vivendo em segurança com a ameaça do Coronavírus, que ainda está muito presente e atuante no nosso meio. Os números de contaminados e óbitos nos revela isso todos os dias, mas infelizmente os gestores públicos pressionados pela ânsia de significativa parcela de nossa população e da própria cadeia produtiva da economia, viram-se forçados a liberar funcionalidades de vários segmentos da estrutura social e o povo não se conteve, indo com muita sede ao pote, lotando ruas, bares, restaurantes, shoppings, praias, etc.
O perigo maior está no fato de uma nova onda de contaminação se desenvolver de forma avassaladora e muito mais destrutiva que a ocorrida nos quatro primeiros meses do chamado reconhecimento oficial da Pandemia Coronavírus 19, ou seja, de março a junho de 2020, quando o mundo viu-se vítima de um monstro invisível, destruidor e fulminantes, que provoca sofrimento e mortes, especialmente na parcela da população mais pobre e de desempregados, pois muitos já perderam seus empregos e essa parcela populacional só pode contar com a sorte de ser eventualmente bem atendida pelos equipamentos de cadeia da saúde pública, uma vez que as cidades e o Estado não dispõem de estrutura hospital para atender a todos de forma digna e técnica como se exige nestes casos de sufocação do sistema de saúde.
Sim, são os pobres, os pretos e os desempregados que mais sofrem, pois esse segmento também não dispõe de planos privados de saúde que possa lhes socorrer. E como todos sabem, nosso sistema público de saúde é uma lástima, uma catástrofe e não atende como deveria as demandas corriqueiras do dia a dia. Assim, imaginemos a chegada de uma nova avalanche de pessoas contaminadas por um vírus que de forma crescente requer vagas em UTIs e respiradores que são insuficientes para o atendimento a enorme demanda, caso se confirme o aumento de novas vítimas testadas positivamente.
Resta-nos torcer para que a sede de contatos sociais de nosso povo não provoque novos casos, que a meu ver, é quase impossível, uma vez que ainda há muitas pessoas assintomáticas circulando por aí, contaminando e alastrando os números vítimas. Para piorar, muitos grupos culturais de nossa região estão promovendo carreatas, romarias, matracadas, lives e encontros que aglomeram muitas pessoas, sem os cuidados de distanciamentos e proteção recomendados pelas autoridades do campo da saúde. Pense nisso. Continuamos atravessando esse período da Pandemia Covid 19.
São Luís, 5.07.2020.
(*) Euclides Moreira Neto – Professor Mestre em Comunicação Social e Investigador Cultural.

