20/01/2026

Babá agredida pela patroa diz que desmaiou porque, além da violência, ficava sem comer: ‘Não tem corpo que aguente’

A babá Raiana Ribeiro, que pulou do terceiro andar de um prédio onde trabalhava para fugir de agressões da patroa Melina França, em Salvador, disse nesta sexta-feira (3) que desmaiou após ser atacada porque, além da violência, ficava sem comer no trabalho. Imagens do interior do imóvel mostram a empregada desmaiando após uma série de pancadas.

“Não tem corpo que aguente ficar sem alimentação, sem beber e ainda recebendo pancada. Eu lembro que minha cabeça começou a rodar e eu ficava sem conseguir respirar direito”, disse a babá.

A babá disse que a mulher chegou no imóvel na terça-feira, 24 de agosto, um dia antes dela ter pulado a janela do apartamento. Raiana, no entanto, afirma que ela não era outra empregada, e não sabe afirmar qual a relação entre as duas.

“Eu não sei quem é essa mulher. Ela entrou [na casa] na terça-feira. Mas o que ela é de Melina, eu não sei. Ela não é empregada doméstica e eu não sei dizer se era parente. Ela não impede as agressões, não pede ajuda, não faz nada.

A defesa da empregada disse que os vídeos serão utilizados para endossar as acusações contra Melina e poderão provar os crimes que aconteceram no apartamento. Segundo o advogado Bruno Oliveira, vários crimes poderão ser investigados com base nas imagens registradas.

“Diante daquelas imagens, que são preliminares (ainda têm muitas imagens a serem analisadas, tendo em vista que ela começou a ser agredida na terça-feira pela manhã), crime de tortura, cárcere privado e o Ministério Público do Trabalho está apurando para um inquérito civil referente ao trabalho análogo ao escravo”, comentou.

Sete ocorrências são apuradas na 12ª Delegacia Territorial, em Itapuã, e outras cinco na 9ª Delegacia, no bairro da Boca do Rio.

Segundo o advogado Bruno Oliveira, todas as denúncias são semelhantes. As mulheres alegam que ela praticava agressões físicas e ameaças, tomava aparelhos celulares, não obedecia horários acertados para o serviço e, em alguns casos, não pagou pelos dias trabalhados.

A Polícia Civil informou que a 9ª Delegacia Territorial, da Boca do Rio, segue investigando o caso. O órgão disse que as imagens já haviam sido apuradas e foram encaminhadas à perícia.

Ainda de acordo com a polícia, todas as babás já foram ouvidas, nas duas delegacias, e o Departamento de Polícia Metropolitana (Depom) segue monitorando o caso.

O caso ocorreu na manhã de quarta-feira, 25 de agosto. Raiane Ribeiro pulou do terceiro andar para fugir de agressões. Ela disse também que era mantida em cárcere privado pela patroa Melina Esteves França.

Antes de pular, Raiana chegou a enviar uma mensagem de áudio pedindo ajuda aos familiares em um aplicativo de mensagens. No mesmo dia, ela recebeu alta médica, após ficar internada no Hospital Geral do Estado (HGE). A jovem sofreu fraturas no pé.

O caso ocorreu na manhã de quarta-feira, 25 de agosto. Raiane Ribeiro pulou do terceiro andar para fugir de agressões. Ela disse também que era mantida em cárcere privado pela patroa Melina Esteves França.

Antes de pular, Raiana chegou a enviar uma mensagem de áudio pedindo ajuda aos familiares em um aplicativo de mensagens. No mesmo dia, ela recebeu alta médica, após ficar internada no Hospital Geral do Estado (HGE). A jovem sofreu fraturas no pé.

Raiana Ribeiro trabalhava como babá na casa de Melina há uma semana, cuidando das filhas trigêmeas dela. As crianças têm 1 ano e 9 meses de vida.

No dia 26 de setembro, Melina prestou depoimento por cerca de seis horas. Ao chegar no prédio onde mora, depois de ter saído da delegacia, ela foi vaiada pelos vizinhos.

Um dia depois, na sexta-feira (27), ao menos quatro ex-funcionárias de Melina prestaram depoimento à polícia e relataram ser vítimas de crimes semelhantes.

Na manhã de domingo (29), um grupo de pessoas se reuniu em frente ao prédio onde a babá pulou do terceiro andar. Eles fizeram uma manifestação de apoio à vítima e pediram justiça pelo caso.

Um novo protesto foi realizado contra Melina Esteves França na quarta-feira, 1º de setembro. Um grupo formado por trabalhadores domésticos e representantes de movimentos sociais se reuniu em frente ao condomínio onde ocorreu o caso contra Raiana, no Imbuí, pedindo punição à mulher e buscando chamar a atenção para as condições de trabalho dos empregados na Bahia.

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