Luciano Genésio é o alvo principal da Operação Irmandade que investiga contratos de R$ 38 milhões
Por LUCIENE VIEIRA do Jornal Pequeno
A Polícia Federal no Maranhão deflagrou na manhã dessa quarta-feira (12), uma operação batizada ‘Irmandade’, contra suposta organização criminosa, que teria fraudado licitações e desviado recursos públicos em Pinheiro. O prefeito desta cidade, Luciano Genésio, é o principal alvo das investigações. Ele foi afastado do cargo por ordem judicial. Genésio é investigado por fraude de licitações, lavagem de dinheiro, peculato; e por integrar uma organização criminosa. Caso fosse condenado, poderia pegar o total de 44 anos de prisão.
De acordo com o delegado Roberto Santos Costa, a Polícia Federal cumpriu onze mandados de busca e apreensão em São Luís, Pinheiro e Palmeirândia, além de dez mandados de sequestro de valores e ainda ordens de suspensão do exercício da função pública, proibições de acessar ou frequentar a prefeitura, de manter contato com os outros investigados e de deixar da comarca de sua residência durante a investigação.
Os mandados foram expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região, com base em representação elaborada pela Polícia Federal. A ofensiva mira supostos crimes de fraude à licitação, peculato, lavagem de capitais e participação em organização criminosa. Somadas, as penas ligadas a tais crimes podem chegar a 34 anos de prisão, diz a PF.
“A PF recebeu uma notícia crime afirmando que duas empresas, uma situada em Pinheiro e outra em Palmeirândia, estavam sendo contratadas pela Prefeitura de Pinheiro, e que elas pertencem ao gestor público de Pinheiro. Analisamos os pregões, um de 2018 e outro de 2020, e constatamos diversos indícios de fraudes de licitações. Encontramos também uma procuração de uma dessas empresas, em que o irmão do prefeito de Pinheiro administrava a empresa”, informou o delegado Roberto Costa.
De acordo com a PF, os delitos imputados à suposta quadrilha teriam envolvido verbas federais do Fundo Nacional de Saúde e do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica. A investigação se concentra nos Pregões 030/2018 e 016/2020, que custaram cerca de R$ 38 milhões aos cofres públicos, e deram origem a contratos firmados com empresas pertencentes aos membros da organização criminosa, diz a corporação.
Os investigadores dizem que localizaram ‘diversos indícios’ de que o proprietário de fato das empresas sob suspeita seria o prefeito de Pinheiro. Segundo o delegado, o desvio dos R$ 38 milhões, ocorreu por três formas.
A primeira por transferência direta das “testas de ferro” (expressão usada pelo delegado) para a conta do prefeito de Pinheiro, e A segunda forma era o saque das contas da empresa. E a terceira forma, por meio de intermediários. Ou seja, a prefeitura fazia o pagamento às empresas, que repassavam as verbas para intermediários, que encaminhavam para os valores para Luciano Genésio.
A PF afirma ainda que, a partir da análise de movimentações bancárias constatou-se que parte dos pagamentos realizados pelo Poder Público para tais empresas era revertido para as contas do servidor público’. Segundo os investigadores, o nome da operação, ‘Irmandade’ faz referência à composição da organização criminosa. A PF diz que o grupo ‘possui, tanto no núcleo político, quanto no núcleo empresarial, irmãos participantes do estratagema criminoso’.
O delegado Roberto reforçou que as empresas estavam registradas em nomes “laranjas”, mas quem controlava as empresas era Luciano Genésio e seu irmão. Uma empresa é um posto de gasolina. Outra empresa é uma locadora de veículos. “Não termos a certeza ainda se os serviços eram fornecidos por essas empresas à Prefeitura de Pinheiro”, destacou o delegado da PF. Foram apreendidos artigos de luxo e dinheiro.

