Socioeducandos da Fundação da Criança e do Adolescente (Funac) participam de palestra sobre transexualidade e identidade de gênero nos Centros Socioeducativos Canaã e Florescer. O objetivo é sensibilizar os/as adolescentes sobre novos conceitos acerca da identidade de gênero de pessoas trans.
No Centro Socioeducativo Florescer, por exemplo, as socioeducandas tiveram a oportunidade de dialogar com Júlia Naomi, mestrando em psicologia e pesquisadora em gênero, raça e cultura, mulher trans, que apresentou um panorama de reconfiguração social a partir da garantia de direitos humanos conquistados pelo movimento trans no Brasil.
Já no Centro Socioeducativo Canaã, a palestra destacou a violência vivenciada por essa população, que coloca o Brasil como o país que mais mata pessoas trans no mundo. A atividade também contou com a participação da psicóloga Raissa Mendonça, que também é uma mulher trans e gerencia a Casa FloreSer Maranhão, que acolhe a população LGBTQIA+ em situação de vulnerabilidade.
De acordo com a presidente da Funac, Sorimar Sabóia, eventos como esse são importantes para que os socioeducandos consigam compreender e adotar uma postura de respeito à diversidade sexual e de identidadede de gênero, assunto que muitas vezes é encarado como tabu, mas que se faz necessário debater para conhecer e respeitar. “Quando apresentamos essa discussão aos socioeducandos, significa que estamos incentivando-os a respeitar a diversidade sexual e de identidade de gênero em nossa sociedade, pois o preconceito é algo nocivo que precisa ser combatido”, afirmou Sorimar.
“A partir do nosso papel de educadores, precisamos destacar que a transfobia é crime e deve ser punida consoante a legislação e entendimento do STF [Supremo Tribunal Federal]. É nesse sentido que buscamos sensibilizar, conscientizar e até mesmo alertar os socioeducandos”, frisou a presidente da Funac.
A Funac atualmente integra a Rede Estadual de Enfrentamento à LGBTfobia no Maranhão e uma de suas ações se refere à criação de um atendimento especializado para adolescentes trans em cumprimento de medida socioeducativa no Centro Socioeducativo Florescer, que funciona em São Luís. O atendimento não só respeita a identidade de gênero desses e dessas adolescentes, como também busca meios de disponibilizar tratamento hormonal (aos que já completaram 18 anos) e psicológico, de acordo com as diretrizes do Ministério da Saúde, que garante o direito ao processo transexualizador, disponível da rede do SUS, além de apoio na resolução de conflitos desses e dessas adolescentes e seus familiares.

