20/01/2026

Adiamento dos Desfiles de Passarela Penaliza os Blocos Tradicionais e Fragiliza a Cultura Popular de São Luís

Mais uma vez, os blocos tradicionais de São Luís são surpreendidos com o adiamento dos desfiles de passarela, previstos inicialmente para os dias 13 e 14 de fevereiro. Segundo informações repassadas pelo secretário da Secretaria Municipal de Cultura (SECULT), a Prefeitura de São Luís não poderá atender à solicitação das entidades carnavalescas devido à falta de contingente da Polícia Militar do Maranhão, da Blitz Urbana e de outros órgãos responsáveis pela segurança do evento.

A justificativa causa estranheza e indignação. Em anos anteriores, quando não existia carnaval na Avenida Litorânea, e o carnaval se concentrava nos bairros, interiores, praças e na própria passarela, os desfiles aconteciam normalmente durante o período oficial do carnaval, com estrutura, organização e segurança garantidas.

O que se percebe hoje é uma inversão de prioridades. Enquanto grandes eventos com bandas de fora do estado, com cachês altíssimos, recebem total atenção do poder público, os blocos tradicionais, que sustentam o carnaval de rua, preservam a identidade cultural e mantêm viva a história do povo maranhense, seguem sendo prejudicados, adiados e desvalorizados.

Os blocos tradicionais não fazem apenas festa. Eles geram renda, movimentam comunidades, envolvem costureiras, músicos, artesãos, coreógrafos e famílias inteiras. São eles que mantêm viva a cultura popular maranhense, muitas vezes trabalhando o ano inteiro para, no fim, receber migalhas — quando recebem.

O adiamento dos desfiles de passarela impacta diretamente o planejamento, os custos e o emocional de quem faz cultura com sacrifício e amor. Mais uma vez, os blocos são empurrados para depois, como se fossem menos importantes dentro da própria festa que ajudaram a construir.

Fica aqui o registro de insatisfação, indignação e cobrança por respeito. Carnaval não é apenas palco, trio elétrico e artista importado. Carnaval também é tradição, raiz, identidade e resistência. E os blocos tradicionais merecem ser tratados com a dignidade que sua história exige.