Em relação ao que está acontecendo no carnaval do Maranhão tenho pouco a dizer. Minha tristeza me emudece. Virou uma cultura caracu: o Estado entra com a cara, o povo entra com o resto! Apenas ressaltar que muitas pessoas não sabem o quanto a nossa cultura é importante pra nós, o quanto faz parte do nosso cotidiano e da nossa vida. Eu falo sobre a cultura do Maranhão que habita em nós desde criança, que se faz tambor desde o ventre materno.
Eu, se direito tiver, como simples admirador que a cultura proporciona ser feliz, só pediria respeito! Não a usem para benefícios próprios, desavenças pessoais ou fins eleitoreiros. Deixem a cultura do Maranhão cumprir sua missão de mostrar o quanto o artista maranhense é criativo e capaz. Minha tristeza me impede de escrever mais… Eu vou brincar o carnaval, meu coração não deposita tristeza pois habita em mim o sonho eterno da felicidade.
A vocês, que hora desrespeitam nossa cultura, sorvei, mamai, e uma vez regozijados… nos devolvam tá? Nós, que a amamos, a tomaremos em nossos braços e lhes devolveremos a verdadeira razão de existir: sairemos pelas ruas abraçados, cantando, chorando de felicidade! Pois, a cultura do Maranhão é indestrutível, foi fincada em negras raízes por fazedores de cultura e não por sugadores de dinheiro.
Somos fortes! É questão de honra, é uma obrigação zelar pelo legado deixado por nossos pais e avós… É resistência, persistência, resiliência! Luta contra a saliência de quem tem vã pretensão de calar nossos tambores, silenciar nosso amor. E na quarta-feira de cinzas, com a cara toda melada de maisena, em silêncio, quietinho, murmurarei meu louvor: “Adeus meus meninos, adeus meus amor, até para o ano, se nós vivos for!”. (Caoca X é design gráfico, publicitário e defensor do autêntico carnaval de rua do Maranhão).

