17/04/2026

Homenagem a Marco Aurélio Haickel e à cultura popular

Entre tantas parcerias de sucesso, Raul Seixas e Paulo Coelho são autores de “Canto para minha morte” (1976), que começa assim: “Eu sei que determinada rua que eu já passei/ não tornará a ouvir o som dos meus passos”; e adiante: “Cada vez que eu me despeço de uma pessoa/ pode ser que essa pessoa esteja me vendo pela última vez”.

Não sei se todas as pessoas que fazem e frequentam a Rádio das Tulhas ouviram o som dos passos de Marco Aurélio Haickel depois de novembro de 2025, mas sei que foi neste mês que o vi “pela última vez”. Uma das marcas que vou sempre lembrar dele são os sons dos seus passos lentos. Ele me passava a impressão de estar sempre flutuando ou reproduzindo os passos da capoeira de Angola. É como se ele tivesse adotado no seu caminhar um ritual constante desta modalidade de capoeira.

Durante os três anos de existência da Rádios das Tulhas não era raro vê-lo chegar, depois das rodadas no Matroá, dentro do Mercado das Tulhas, e se dirigir até a mim ou aos organizadores da Rádio das Tulhas para nos conceder um abraço carinhoso e, em seguida, continuar sua caminhada ou sentar-se em alguma mesa para degustar uma bebida.

Neste sábado (21), nós que que fazemos a Rádio das Tulhas e todos que tivemos o prazer de conviver com esse espirito maravilhoso, vamos celebrá-lo a partir de meio-dia, no lugar de sempre, e ver a hora dele passar. Traga seu berimbau, sua parelha, seu violão ou sua voz e venha abraçar sua memória.

Viva Marco Aurélio!

Por Dj Ayawo Noleto