Às vésperas de seu centenário, a Turma da Mangueira faz uma profunda e urgente reflexão sobre o destino da humanidade clamando “Agô a Aydo Hwedo”, a serpente sagrada que carregou a divindade criadora, Mavu-Lisá, na formação do mundo, segundo a mitologia Ewe-Fon.
Em 2027, a escola invoca a sabedoria ancestral daomeana para que possamos compreender a desequilibrada relação homem/planeta que caminha rumo a sua autodestruição e pedir clemência a grande serpente cósmica para que não solte seu próprio rabo, desfazendo o círculo perfeito, responsável pela estabilidade e equilíbrio do Planeta, e assim deixe o Universo afundar no oceano primordial.
Ordenada pela divindade criadora, Aydo Hwedo reside nas profundezas do oceano, onde é alimentada com barras de ferros levadas por macacos vermelhos marinhos.
No entanto, há um aviso crucial gravado na eternidade: se esse alimento faltar — ou se a humanidade destruir a natureza a ponto de romper essa engrenagem vital —, a grande serpente se morderá de fome, se sacudirá em agonia e o universo colapsará.
O enredo é um manifesto em forma de arte. É o alerta de que o ciclo da vida, eterno como o Ouroboros, depende de uma saudável relação entre o homem e o meio ambiente.
A Turma da Mangueira usará sua procissão festiva para pedir ao Vodun Dan, misericórdia, clemência, piedade, despertando no público a compreensão de que salvar a natureza é alimentar a própria sobrevivência.
Que no rufá dos tambores verde e rosa ecoe consciência, pois o amanhã exige imediata mudança na forma como vivemos hoje. Arroboboi!

