17/08/2026

Inteligência artificial aumenta risco de desinformação em campanhas. Entenda os desafios e cuidados necessários com o uso de inteligência artificial nas campanhas eleitorais e saiba como identificar fraudes.

BRASIL – A inteligência artificial nas eleições deve ganhar espaço nas campanhas de 2026, tanto para análise de dados e produção de materiais quanto para estratégias de comunicação nas redes sociais. Ao mesmo tempo, especialistas alertam que a tecnologia pode ampliar a disseminação de desinformação por meio de imagens, vídeos e áudios falsos.

Para reduzir os riscos, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabeleceu regras específicas para o uso de inteligência artificial durante a propaganda eleitoral. Entre as exigências está a identificação explícita de conteúdos sintéticos produzidos por IA.

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A tecnologia permite analisar grandes volumes de dados em poucos segundos, identificar demandas dos eleitores e produzir peças de campanha com rapidez. Por outro lado, ferramentas cada vez mais sofisticadas também possibilitam a criação de conteúdos capazes de simular situações que nunca aconteceram.

Como a inteligência artificial pode ser usada nas eleições

Dados disponíveis na internet, como comentários em redes sociais, reclamações e interações com candidatos, já são utilizados por campanhas para identificar demandas da população.

Com a inteligência artificial, esse processo pode ser realizado em maior escala e velocidade.

Segundo o pesquisador de inteligência artificial e professor da PUC-SP Diogo Cortiz, a tecnologia permite reunir e analisar grandes quantidades de informações, o que pode auxiliar políticos e formuladores de políticas públicas a compreender determinadas realidades.

Cortiz avalia que a inteligência artificial nas eleições terá papel importante na disputa de 2026, após a utilização intensa das redes sociais e dos disparos em massa em 2018 e a popularização dos vídeos curtos nos anos seguintes.

A tecnologia também pode reduzir os custos de produção de materiais eleitorais. O professor da ESPM e especialista em reputação digital Flávio Ferrari mostrou que ferramentas gratuitas conseguem produzir peças de campanha em poucos segundos.

Deepfakes são um dos principais riscos

Um dos principais problemas relacionados ao uso da inteligência artificial nas eleições é a produção de deepfakes.

O termo é utilizado para definir conteúdos sintéticos gerados ou modificados digitalmente para simular situações que não ocorreram. Com essas ferramentas, é possível alterar a voz de uma pessoa, colocá-la virtualmente em determinado local ou produzir vídeos inteiramente falsos.

Os conteúdos podem ser utilizados para golpes e fraudes, além da disseminação de informações falsas. Durante uma eleição, o impacto pode ser maior porque materiais manipulados podem influenciar a percepção dos eleitores sobre candidatos.

O coordenador do Laboratório de Inteligência Artificial da Unicamp, Anderson Rocha, afirma que as falsificações estão cada vez mais realistas. Em alguns casos, a identificação pode exigir ferramentas especializadas.

Entre as orientações para identificar possíveis manipulações estão:

  • observar sombras e iluminação;
  • desconfiar de conteúdos que apresentem características incomuns;
  • verificar a origem da publicação;
  • procurar informações em agências de checagem de fatos;
  • comparar o conteúdo com fontes confiáveis.

O laboratório da Unicamp já analisou mais de uma centena de casos de manipulação digital. Entre eles está um vídeo falso do ex-presidente dos Estados Unidos John F. Kennedy, morto em 1963.

Maioria dos brasileiros teme manipulação

A preocupação com o uso da inteligência artificial também aparece entre os eleitores.

Segundo os dados apresentados pelo Jornal Hoje, 71,6% dos brasileiros acreditam que a inteligência artificial pode ser utilizada para manipular eleitores. Por outro lado, apenas 45,3% afirmam conseguir identificar conteúdos produzidos artificialmente.

Relatos de entrevistados mostraram a dificuldade para diferenciar imagens e vídeos reais daqueles criados ou modificados por computador.

O cenário aumenta a preocupação com o impacto da inteligência artificial nas eleições, especialmente diante da velocidade com que conteúdos podem ser produzidos e compartilhados nas redes sociais.

O que determina a Justiça Eleitoral

O TSE estabeleceu regras para o uso de inteligência artificial na propaganda eleitoral.

De acordo com as normas citadas na reportagem, conteúdos sintéticos produzidos por inteligência artificial ou tecnologia semelhante devem ser identificados de maneira explícita, destacada e acessível ao público.

A Justiça Eleitoral também proíbe o uso de conteúdo sintético em áudio, vídeo ou na combinação dos dois formatos para criar, substituir ou alterar a imagem ou a voz de uma pessoa com o objetivo de favorecer ou prejudicar uma candidatura.

A regra vale para pessoas vivas, mortas ou fictícias. A prática é classificada pela Justiça Eleitoral como deepfake.

O presidente do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), José Antonio Encinas Manfré, afirmou que a expectativa é que as novas tecnologias sejam utilizadas em benefício da democracia, da informação e do esclarecimento dos eleitores.

Conteúdos podem ser rastreados

Apesar da evolução das ferramentas de inteligência artificial, especialistas afirmam que conteúdos digitais podem deixar rastros que ajudam a identificar sua origem.

Flávio Ferrari destaca que, em determinadas situações, pode ser necessário o apoio das plataformas digitais para chegar aos responsáveis pela publicação.

A identificação da origem dos materiais é considerada importante para responsabilizar quem utilizar a tecnologia de maneira irregular durante o período eleitoral.

Ipolítica, com informações do G1