Publicado em 1976, durante o exílio de Gullar em Buenos Aires, Poema sujo tornou-se uma das obras fundamentais da poesia brasileira contemporânea
A Academia Maranhense de Letras promove, nesta quinta-feira (10), às 18h, o evento “Ferreira Gullar e os 50 anos do Poema sujo”, no auditório da instituição, com entrada franca. Publicado em 1976, durante o exílio de Gullar em Buenos Aires, Poema sujo tornou-se uma das obras fundamentais da poesia brasileira contemporânea.
Meio século depois, o poema retorna simbolicamente a São Luís, cidade que ocupa lugar central em suas memórias e versos.
A programação terá diálogo com os acadêmicos Félix Alberto e José Neres, que abordarão a criação e a permanência da obra, a trajetória de Gullar e suas relações com o Maranhão. A conversa será intercalada por recital poético do ator Breno Nina.
Ator, diretor e roteirista maranhense, Breno Nina tem trajetória no teatro, cinema e televisão. Entre seus trabalhos está o longa O Último Cine Drive-in, pelo qual recebeu o Kikito de Melhor Ator no Festival de Gramado.
Quem foi Ferreira Gullar
Ferreira Gullar, pseudônimo de José de Ribamar Ferreira, nasceu em São Luís, no Maranhão, em 10 de setembro de 1930. Poeta, escritor, crítico de arte e ensaísta, tornou-se um dos nomes mais importantes da literatura brasileira do século XX. Sua trajetória foi marcada pela experimentação artística, pelo envolvimento político e pela relação profunda com a cidade onde nasceu.
Durante a infância, Gullar viveu entre a escola e as ruas de São Luís, onde brincava, jogava bola e pescava no Rio Bacanga. Na adolescência, começou a se aproximar da literatura e passou a frequentar espaços culturais da cidade, como os bares da Praça João Lisboa e o Grêmio Lítero-Recreativo, onde havia encontros para leitura de poemas. Aos 18 anos, adotou o nome Ferreira Gullar, construído a partir dos sobrenomes de seus pais.
Sua produção literária ganhou destaque a partir da década de 1950, especialmente com o livro A luta corporal, publicado em 1954. Gullar também participou do movimento da poesia concreta e, posteriormente, tornou-se um dos principais nomes do neoconcretismo, movimento que buscava novas formas de relação entre arte, linguagem e participação do público.
A trajetória de Gullar também esteve ligada à política. Durante a ditadura militar, participou da resistência ao regime, foi preso e posteriormente viveu no exílio. Foi durante o período em Buenos Aires que escreveu Poema sujo, sua obra mais conhecida e considerada sua obra-prima. O poema reúne lembranças da infância, da cidade natal, da vida cotidiana e das experiências do autor, tornando São Luís uma presença marcante em seus versos.
Além da poesia, Gullar atuou como jornalista, crítico de arte, dramaturgo e roteirista. Em 2014, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira nº 37. Morreu em 4 de dezembro de 2016, no Rio de Janeiro, aos 86 anos.
A obra de Ferreira Gullar permanece como parte importante da cultura brasileira e maranhense. Em seus textos, a memória, a política, a arte e as experiências pessoais se misturam, fazendo de sua trajetória um dos exemplos mais marcantes da presença do Maranhão na literatura nacional.

