Boieiros reverenciam hoje São Marçal no João Paulo
Tradicional encontro de grupos de bumba meu boi de sotaque de matraca deve reunir hoje 300 mil pessoas em festa que chega à sua 86ª edição.
Anderson Corrêa
Da equipe de O Estado
Da equipe de O Estado
30/06/2013
Matraqueiros de toda a Ilha participam hoje da 86ª edição da Festa de São Marçal com o tradicional Encontro de Bumba meu boi de Matraca, na avenida que leva o nome do santo, no João Paulo. A estimativa é de que pelo menos 300 mil pessoas passem pela festa, tendo um público fixo de 80 mil boieiros. Segundo o Instituto São Marçal de Cultura e Desenvolvimento Social, que organiza a festa, o encontro deve reunir mais de 30 grupos do sotaque de matraca, ou da Ilha, advindos também do interior do estado. A abertura será com o Boi de Timon.
Apesar do ritmo intenso de apresentações durante todo o período oficial de festejos para reverenciar São João, os brincantes não abrem mão de homenagear São Marçal, santo reverenciado apenas pelos maranhenses. Os batalhões pesados da Maioba, Maracanã, Iguaíba e São José de Ribamar devem liderar as homenagens, como acontece todos os anos, além de serem alguns dos grupos mais aguardados por aqueles que pretendem brincar os festejos juninos até o fim. Os organizadores preveem mais de 20 horas ininterruptas de apresentações.
São Marçal é o santo que fecha o mês de junho. Desde 1928, diversos grupos de bumba meu boi encontram-se no bairro João Paulo para prestar homenagens e pedir bênçãos e proteção ao padroeiro. Este ano não será diferente. “A festa cresce a cada ano. Mas tudo é feito com muito sacrifício e força de vontade dos grupos”, ressalta Ana Valentina Santos, uma das organizadoras da festa.
A presidente do Boi de Maracanã, Maria José Soares, critica, contudo, a organização da festa. Para ela, os grupos deveriam se empenhar mais para fazer o encontro. “Falta um pouco de respeito entre os grupos. Alguns demoram na concentração e atrapalham a passagem dos outros. Mas, apesar disso, todos nós sempre participamos e reverenciamos São Marçal”, disse. Segundo ela, mesmo com o cansaço de mais de 15 dias de arraiais, não se pode faltar à festa. Diz a lenda que o grupo de bumba meu boi que não participa do encontro, enfrentará problemas no São João do ano seguinte.
Estrutura – Para trazer comodidade e segurança aos participantes, uma grande estrutura foi montada ao longo da avenida. Desde sexta-feira, bandeirinhas e outras alegorias que fazem referência à época enfeitam o espaço. Serão disponibilizados também 100 banheiros químicos em toda a extensão da avenida para dar suporte à festa. A Secretaria Municipal de Obras e Serviços Públicos (Semosp) trabalhou nos dias que antecederam a festa na limpeza e na potencialização da iluminação pública – com troca de lâmpadas antigas e instalação de refletores – na avenida e nas ruas transversais, onde também haverá movimento.
Dois palanques também foram montados na Praça Ivar Saldanha, Largo de São Roque. Um deles é para a apresentação dos grupos. Depois da chegada ao palco principal, os batalhões terão 25 minutos para a dispersão. A medida é uma garantia dos organizadores de que todos os grupos se apresentem sem atrasos.
O outro palanque será destinado a idosos e portadores de necessidades especiais. “Ele terá uma rampa para dar acesso a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida. Temos um público de idosos muito grande que precisa de um espaço apropriado para assistir às apresentações”, explicou Raimundo Morais, um dos organizadores. Segundo ele, serão disponibilizadas 60 cadeiras no palanque, além de água. “É importante garantir um conforto para estas pessoas”, completou.
Mais
Como forma de incentivar os grupos de bumba-meu-boi que anualmente passam pela Avenida São Marçal, a organização do evento, desde 2006, distribui troféus simbólicos de São Marçal para os grupos; cada cantador recebe o seu troféu. Este ano a festa completou 85 edições. A primeira aconteceu em 29 de junho de 1928 e na ocasião reuniu os bois do Sítio do Apicum, Boi do Lugar dos Índios e Boi da Maioba.



