20/01/2026

UM BAÚ MEMORIAL RICO EM MUSICALIDADE DO CARNAVAL (*)

Nesta exposição, o jornalista Joel Jacinto faz um estudo e o resgate dos trabalhos desenvolvidos por grupos carnavalescos – escolas de samba, blocos tradicionais e outras manifestações desse ciclo cultural – ao lango das últimas quatro décadas, destacando apectos históricos de sua criação e da musicalidade que foi naturalizada e hibridizada ao longo do tempo: a interação com a comunidade, participação nas apresentações espontaneas e concursos oficiais ou promovidos por instituições da comunidade, além da sua contrinbuição pessoas ao reunir este acervo precioso que hoje se constitue um raro conjunto de dados para investigadores do campo cultural.

Essa investigação segundo meu olhar sugere múltiplas possibilidades de cruzamentos”, o que me leva avaliar que, é nesses entrecruzamentos que os interessados poderão ter à sua disposição um material rico em informações históricas para as partes envolvidas com o fenômeno cultural, até porque os métodos utilizados, apesar de serem diversos, podem se complementar. Nesse contexto, esta exposição, ao reunir este rico acervo de dados musicais, faz o resgate da história de cada um que ativamente do movimento cultural maranhense fez parte, por isso esse evento memorialista torna-se um  instrumentos cultural e que se impõe na região em que atua, por meio de ações que atendem aos praticantes do campo musical, da juventude maranhense – especialmente estudantes – e pessoas interessadas nessa área do conhecimento.

Desse modo, quero também corroborar com o que afirmam Bogdan e Bilken (1994), que utilizam a expressão investigação qualitativa como termo genérico para agrupar diversas estratégias de investigação que partilham determinadas características, neste caso nos focamos no objeto musicalidade carnavalesca,  que Joel Jacinto preservou por mais de quatro décadas e que a partir de agora é disponibilizado para o público em geral.

Com esta compreensão ratificamos o que afirmam Meirinhos e Osório (2010, p. 51), pois “nesta investigação, os dados recolhidos são designados por qualitativos, o que significa ricos em fenômenos descritivos relativamente a pessoas, locais e conversas, e de complexo tratamento (…)”, por isso destaco ainda o que ressaltam esses autores:

Stake (1999) assinala três diferenças importantes entre a perspectiva qualitativa e quantitativa da investigação: i) a distinção entre explicação e compreensão; ii) a distinção entre função pessoal e impessoal do investigador; iii) a distinção entre conhecimento descoberto e construído” (Bilken citado por Meirinhos e Osório, 2010, p. 52).

Nesse contextualização focamos no fato afirmado por Stake (1999) de que no ponto de vista da investigação qualitativa, procura-se a compreensão das complexas inter-relações que acontecem na vida real, considerando que, ainda de acordo com esse autor, “os modelos qualitativos sugerem que o investigador esteja no trabalho de campo, faça observação, emita juízos de valor e que analise”.

Por outro lado percebemos que o pesquisador é um agente social que está a serviço do resgate do conhecimento vivenciado por si ou por outras pessoas, por isso sua impressões, suas conclusões ou suas emissões de juizo de valor são fundamentais para a transmissão do conhecimento, ressaltando-se que, segundo Stake (1999), “na investigação qualitativa, é essencial que a capacidade interpretativa do investigador nunca perca o contacto com o desenvolvimento do acontecimento”.

Euclides Moreira Neto – Jornalista, Professor, Mestre em Comunicação Social e Investigador Cientifico no campo Cultural.

 

 

 

 

 

 

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