Bloco esquenta as ritintas para celebrar mais um reinado de Momo levando alegria aos foliões por meio de sua tradicional batucada
Os Fuzileiros da Fuzarca (FF), um dos blocos carnavalescos mais antigos e tradicionais de São Luís completa 82 anos em 2018. O bloco foi fundado no dia 11 de fevereiro e, este ano, o aniversário cairá no Domingo Gordo, data na qual a agremiação desfilará na Passarela do Samba, a partir das 19h. Nesse dia, porém, as comemorações começarão cedo, com alvorada com foguetório, reza para o padroeiro São Lázaro e, claro, muito samba na sede do bloco (Rua Afrânio Peixoto – Madre Deus).
Fundado em 1936, os Fuzileiros da Fuzarca se orgulham de manter o mesmo ritmo cadenciado, produzido pelas ritintas, taróis-de-mão e duas-por-uma (instrumentos de percussão cobertos com couro de bode e carneiro), além das cores usadas (preto e branco) e da famosa estrela nas confecções das fantasias. Estas são as marcas inconfundíveis do bloco, que por onde passa, arrasta os brincantes.
A presidente dos Fuzileiros, Maria da Graça Viana, destaca a preocupação do bloco em manter vivas suas tradições. “Procuramos preservar ao máximo as características originais do bloco, com o objetivo preservar este patrimônio do Carnaval, genuinamente ludovicense, de ritmo e jeito que é tocado somente aqui em São Luís. Recebemos a visita de muitos turistas, que ficam encantados com a animação e a simplicidade do bloco e não conseguem ficar parados contagiados pela batucada ritmada”, diz.
Festa
Os Fuzileiros durante o período pré-carnavalesco empolga e contagia milhares de foliões, ao saírem percorrendo as principais ruas do bairro da Madre Deus. Suas marchas, conhecidas na cidade, já são eternizadas no Carnaval e na boca dos maranhenses. Entre elas, “Sandália de Prata”, “Foi Você”, “Não Tenho Hora Pra Voltar”, “Joana”, “Pra Que Chorar”, “Descendo o Morro”, entre outras.
Composto por cerca de 100 componentes (ritmistas e pastoras), o bloco Fuzileiros da Fuzarca foi criado por Cristóvão Colombo da Silva, o popular “Alô Brasil”, Sandoval Silva, Mané Caju, Pedro Pantaleão, Astrogildo Silva, Carlos Moreira e José João. Entre outros iluminados menestréis que deram vida a uma das mais puras tradições da cultura popular do Maranhão. Contou ainda com grandes intérpretes e compositores como Pivó e Betinho, já falecidos.
Experientes
A diretora de Finanças do bloco, Sônia Regina dos Santos, lembra que a agremiação é composta por maioria de pessoas idosas, mas que tem em seus brincantes uma jovialidade que impressiona os mais jovens. “Levamos a felicidade, a alegria de viver e mostramos que, apesar das dificuldades e da idade, podemos ser úteis em qualquer ocasião, principalmente no Carnaval”, enfatiza.
Os Fuzileiros da Fuzarca tem um projeto intitulado “Fuzileiros do Amanhã” que consiste em incentivar crianças e adolescentes da comunidade a aprenderem a tocar um instrumento e também a sair no bloco. “Guardando as devidas proporções, costumo dizer que o Bloco Os Fuzileiros da Fuzarca é o nosso Cordão da Bola Preta, que aliás comemora 100 anos em 2018, pela tradição, suas marchas, mas principalmente por lembrarmos dos antigos Carnavais, que não voltam mais, mas retornam às nossas mentes quando os vemos passar”, compara o diretor de Imprensa do bloco, Marcelo Sirkis.

