Álbum duplo para celebrar Chico Maranhão

“Contradições” reúne canções inéditas do artista que figura entre os grandes nomes da música independente do Brasil
São Luís – Uma coletânea de canções inéditas e autorais, compostas nos últimos anos dão corpo ao CD “Contradições”, álbum duplo e recém-lançado do cantor e compositor Chico Maranhão. São 22 faixas gravadas em São Luís, no Sonora Estúdio, com arranjos, produção e direção musical assinados pelo violonista Luiz Júnior. O álbum, que sai pelo selo da Kuarup Música, traz elementos da cultura maranhense porém passa longe dos rótulos.
É que no caldeirão sonoro do ludovicense Francisco Fuzzetti de Viveiros Filho, o Chico Maranhão, há espaço tanto para o bumba meu boi quanto para baiões, modinhas, frevos e ainda uma mistura competente de todos estes ritmos. Com repertório inteiramente autoral destaque para duas regravações – “Ponto de Fuga”, regravada em 2005, no estúdio Mickael, em São Paulo, um samba bem antigo, com releitura feita por Flávia Bittencourt, e os “Os Telhados de São Luís”, em que ele retrata a sua cidade natal. Das 22 canções, somente duas são em parcerias. Tratam-se de “Quando Baixa o Crepúsculo”, feita com o poeta ludovicense Nauro Machado; e “Roça Brasil”, com o cantor Chico Teixeira.
No repertório, o disco traz canções compostas ao longo de anos como o baião “Mandioca Pinga Sushi”, que integra o disco um e cuja letra foi feita em resposta a um trecho do conhecido discurso de Caetano Veloso no III Festival Internacional da Canção, de 1968. Há também algumas pérolas que enaltecem a sua veia arquitetônica como o choro “Sobrado”, também do disco um. O samba humorado “Filho d’uma égua” e a divertida “A Vida é Uma Festa”, que figuram no disco dois, também merecem destaque.
Integram o disco um as faixas “Mandioca Pinga Sushi”, “Os Telhados de São Luís”, “Sobrados e Trapiches”, “Sobrado”, “Roça Brasil”, “Hino do Vira Vila”, “Ponto de Fuga”, “Meu Vovô”, “Bom Dia, Dia”, “Manguezal de Sal” e “A Vida é uma Festa”. Constam do disco dois as composições “Filho d’uma égua”, “Sós”, “Stradivarius Malúdico”, “Prostituta”, “Doce de Espécie”, “Quando Baixa o Crepúsculo”, “Contador de Lágrimas”, “Pé-De-Vento”, “Gritos”, “Passando à Vida” e “Sonhar”.
Múltiplo
Em mais de 50 anos de carreira, o intérprete, compositor, violonista, tocador de tambor de crioula, escritor e arquiteto Chico Maranhão contabiliza em sua trajetória muitos sucessos. Ele, que emplacou a canção “Gabriela” no III Festival de Música Popular Brasileira de 1967 defendida pelo grupo MPB-4 tendo sido uma das seis finalistas, teve seu primeiro registro fonográfico em 1969 em um disco brinde feito com o compositor Renato Teixeira.
Chico Maranhão participou de diversos festivais e traz, em sua discografia, álbuns como “Maranhão”, “Lances de agora”, “Fonte Nova”, “São João, paixão e Carnaval”, “Só carinho”, entre outros discos. O artistas lançou várias obras como a criação da “Ópera Boi” e um livro dedicado à arquitetura chamado “Urbanidade do Sobrado”.
