SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Depois de 128 anos de história, a Academia Brasileira de Letras acaba de eleger a primeira mulher negra para sentar em uma de suas 40 cadeiras. Ana Maria Gonçalves, autora do romance “Um Defeito de Cor”, foi eleita na tarde desta quinta-feira para a vaga antes ocupada pelo linguista Evanildo Bechara.
A escritora levou 30 votos contra um da escritora indígena Eliane Potiguara. Havia outros 11 concorrentes: Ruy Lobo, Wander Lourenço de Oliveira, José Antônio Hartmann, Remilson Candeia, João Calazans Filho, Célia Prado, Denilson Marques da Silva, Gilmar Cardoso, Roberto Numeriano, Aurea Domenech e Martinho de Melo.
Gonçalves atendeu à reportagem em meio à euforia da comemoração, durante uma recepção na casa de Roberta Machado, sócia de sua editora, a Record. A eleição, segundo a nova imortal, pode ser interpretada como o sinal de uma instituição mais afinada à diversidade real do Brasil.
“Pode estar mandando um recado de que a Academia está mais aberta a repensar o trato institucional de uma língua portuguesa mais inclusiva, pensando na riqueza que os africanos e indígenas incorporaram à nossa língua mátria”, aponta ela.

