O rito se repete: chegamos ao fim do ano, quando mais uma vez estamos imbuídos de novas esperanças, especialmente porque também com esse período ritualístico, está a chegar o fim da gestão do senhor Edivaldo Holanda Júnior, que a meu ver foi uma dos maiores fiascos de gestão para o campo da cultura popular da nossa região.
Nunca o campo cultural sofreu tanto e foi com tamanha magnitude desprestigiado como nesses dois mandatos do Prefeito que sai. Foram deixados de realizar projetos históricos como o prêmio literário cidade de São Luís, Salão de artes plásticas, etc ou fechados equipamentos culturais, como Centro de Arte Japiaçu, Circo Cultural Nelson Brito, Galeria Zaque Pedro, Escola Municipal de Música, Casa dos Blocos Tradicionais, Teatro da Cidade, Memorial Maria Aragão – entregue às moscas – entre outros.
No final de 2012 tínhamos cerca de 49 Blocos Tradicionais e atualmente existem cerca de trinta, portanto, a falta de políticas públicas para o setor é evidente e demonstra de como foi muito prejudicial ao campo cultural. A nossa passarela do samba foi encolhendo cada vez mais até chegarmos a este último ano que foi agravado pela pandemia da Covid 19, fechando esse ciclo obscurantista, que esperamos não ter que conviver com algo parecido nos próximos anos.
As esperanças se renovam sem dúvida com a ascensão do novo Prefeito da Cidade de São Luís, Eduardo Braide, que obteve uma eleição fantástica quando, conseguiu a adesão da maioria da população da cidade, lutando contra a maquinação do poder público estadual que fez de tudo para emplacar outros nomes considerados mais simpáticos às aspirações do grupo hegemônico que está no poder.
Ainda sobre esse final da gestão do senhor Edivaldo Holanda Júnior vale registrar que nos últimos seis meses ele tentou fazer o que não fez em quase oito anos, dando uma maquiagem nas praças e ruas centrais da cidade, todavia, isso não encobre as promessas de suas duas campanhas, quando garantiu a população que iria criar mais de dez creches, hospitais, acabar com filas nos postos de saúde, a construção de dois viadutos na área do calhau e forquilha, respectivamente, entre tantas outras promesas não cumprias.
Para piorar, a gestão que se acaba está concluindo uma intervenção no entorno da Fonte do Bispo, afetando de maneira prejudicial o espaço da Passarela do Samba, quando acabou com a via auxiliar que possibilita o acesso da produção dos eventos ali eram realizados e enchendo de bares o espaço dessa via de acesso, o que fatalmente irá prejudicar os futuros desfiles que deverão ser realizados naquela área, aliás até a área de dispersão dos desfiles ficou totalmente comprometida, pondo comprometendo a realização de futuros eventos e a própria sobrevivência dos grupos culturais.
Reafirmo isso porque a maioria dos grupos culturais de cunho popular só existem porque existem os concursos oficiais nos seus respectivos períodos ritualísticos. Casos esses concursos acabem será também decretado o fim da maioria desses grupos, pois eles só existem em função dessa prática que é histórica em nossa região. Nenhum grupo irá se produzir só para fazer permuta com outros grupos ou participar do chamado carnaval de rua.
Com certeza não, pois nenhum grupo se produzirá se não houver uma política cultural voltada para a manutenção dos concursos como existem há décadas na nossa terra, por isso nossas esperanças são grandes em torno do novo Prefeito que sempre foi um aliado de primeira ordem das manifestações culturais de nossa terra. Só esperamos que o gestor que for colocado na chamada SECULT – Secretaria Municipal de Cultura seja uma pessoa aberta para empreender e conversar com os grupos culturais e em conjunto levantem uma nova bandeira de ações em favor das pessoas simples e humildes de nossa cidade.
Que o ano que nasce, seja a largada de uma nova era de realizações e esperanças para nossa gente, para os grupos e para o turismo de nossa cidade, pois cultura e turismo andam juntas e uma depende da outra de forma determinante. Nossa cidade é rica pela diversidade cultural e pelo seu patrimônio histórico e arquitetônico construído ao longo do tempo. Que essa onda de esperança seja também uma onda de construção para essa cadeia produtiva. Pensem nisso. Continuamos a atravessar e enfrentar esse período vivido pela pandemia da Covid 19.
Euclides Moreira Neto
Professor Mestre em Comunicação Social e Investigador Cultural.(*) Professor Mestre em Comunicação Social e Investigador Cultural.

