20/01/2026

Dudu Nobre lança álbum Sambas de Exaltação do Rio

O sambista está pronto para entrar na Avenida, coração aos saltos. Setecentos metros o separam da consagração na Praça da Apoteose – aos gritos de “é campeã” –, ou da tristeza por ver sua agremiação fazer um desfile ruim. É preciso injetar uma dose extra de vibração naquelas quatro mil pessoas que se preparam para pisar no asfalto-sempre-quente da Marquês de Sapucaí. Neste momento, todos os puxadores usam a mesma (e certeira) tática: cantar um samba- exaltação. É ele que faz o componente bater no peito, que arranca a lágrima furtiva, que eleva a temperatura da concentração. Não há nada mais emocionante do que ouvir o hino informal de sua escola minutos antes de ela entrar na Passarela. Depois de décadas vivendo de perto esta emoção, Dudu Nobre resolveu compartilhar com seu público este sentimento, gravando as obras mais emblemáticas das maiores escolas de samba do Rio. “Sambas de Exaltação RJ” é álbum pra curtir com a perna bamba, ouvindo a sirene tocar, vendo o portão abrir, levantando os braços pra festejar com as arquibancadas.

A memória afetiva de Dudu voou longe ao produzir este CD, porque a batucada faz parte de sua rotina desde a infância mais remota. A mãe, Anita, e a o pai, João, estavam diretamente envolvidos na explosão do pagode carioca nos anos 80, já que organizavam inúmeras rodas pela cidade, do Centro a Vista Alegre, passando por Vila Isabel. Com uma rotina regada a sopa de siri e dobradinha com arroz – iguarias que Anita servia entre uma música e outra para rebater a ressaca da rapaziada –, foi difícil para Dudu Nobre não seguir o caminho do samba. No Sambódromo, o garoto também batia ponto todo ano, desde a escola mirim, onde era conhecido como Dudu do Cavaco.

De lá pra cá, estreitou ainda mais sua relação com as escolas de samba, compondo para agremiações como Mocidade, Tijuca, Vila e Viradouro, comentando os desfiles pela TV e lançando um DVD com os maiores sambas-enredo que já passaram pela Avenida. Mas estas obras, como “Aquarela brasileira”, “Bumbum paticumbum prugurundum” e “Sonhar não custa nada”, já estão na ponta da língua do grande público. Agora chegou a vez de dar visibilidade a canções quase nunca gravadas, mas fundamentais na relação de amor entre os torcedores e suas agremiações: os sambas-exaltação.

Dudu aprendeu cedo as diferenças entre os vários tipos de samba, mas vale a pena ressaltar estas peculiaridades para os não-iniciados. O samba-enredo é aquele que vai ser a trilha sonora do desfile da escola na Avenida, traduzindo em versos a história que o carnavalesco vai contar em alegorias e fantasias. Já o samba de terreiro (ou samba de quadra) é aquele criado pelos compositores das agremiações durante o ano, versando sobre temas aleatórios, em geral motivos românticos ou crônicas do dia a dia daquela comunidade. Já o samba-exaltação é o que fala do orgulho que os sambistas sentem por pertencer àquela escola. Ele relembra os fundadores, cita os feitos históricos, exalta o amor pelas cores do pavilhão. Podemos dizer, portanto, que Dudu Nobre está lançando um álbum de amor – aquela paixão arrebatadora que une os componentes em torno da mesma bandeira.

 

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