
Ainda inspirado nos anúncios de revitalização do centro histórico e arquitetônico da capital maranhense anunciada pelos governos federal, estadual e municipal venho apresentar uma reivindicação dos servidores públicos da união ou, se não fui claro, os servidores de toda a esfera que trabalham no centro histórico próximo ao no entorno daquela região, no sentido de contemplar esses cidadãos com moradias nas unidades que deverão ser adequadas nos velhos casarões que deverão ser reformado-adaptados para propiciar a rehabitação daquela área geográfica de nossa cidade.
Temos percebido que os gestores públicos responsáveis pela restauração e recuperação do nosso centro histórico tem reiteradamente afirmado que a revitalização dessa zona passa pela reocupação do centro da cidade, considerando que essa área está cada vez mais vazia e isolada de pessoas, pois o mesmo está desabitado e dando lugar para casarões ocupados por equipamento administrativos das redes privadas e pública que atuam em nossa região.
Registre-se também que quanto mais se ocupa o centro histórico com equipamentos administrativos e de empresas privadas, esse mesmo centro vem pouco a pouca sendo ocupado também com a presença de indesejável de desocupados, menores infratores, sem tetos, drogados, maiores abandonados, indigentes e outros integrantes do submundo social, quase sempre invisível aos olhos da sociedade organizada.
A presença desses elementos que teimam em fazer sua convivência incomoda aos olhos da parte organizada da sociedade, a meu ver, pode ser percebida, também, como uma forma de resistência comunitária. Essas resistências aqui referenciadas veem como um infortúnio que à vida não soube ocupar com as práticas consideradas apropriadas, mas foram aos poucos – de boa fé ou não se impondo como pessoas que atuam dentro de um recorte de sociabilidade que se pode trabalhar para o apoderamento qualitativo que atendam aos anseios dos empreendedores das redes culturais, turísticas e gestora da cidade.
Sem querer minimizar a atuação de cidadãos considerados indesejados e inoportunos pelos integrantes das classes médias, alta e trabalhadora para o bom relacionamento das pessoas no meio comunitário, pode proporcionar a essa parcela invisível um futuro mais digno. Pois esses atores podem ser trabalhados com políticas públicas mais eficazes, ocupando o tempo ocioso desses cidadãos invisíveis com a produção de atividades laborais que possam lhes render trabalho e renda para sobreviver com dignidade e dar aos olhos dos que ficam indignados uma função social mais qualificada.
Assim, o centro histórico de nossa cidade poderá ser mais agradável de ser visitado não só pelos turistas que até aqui chegam para conhecer nosso valioso patrimônio arquitetônico, nossos museus, nossos mercados, nossos equipamentos culturais e turísticos, nosso artesanato e nossa culinária, somando-se a parcela social que diariamente tem que conviver com as ações de infratores indesejados e que se tornam visíveis diariamente nas páginas de jornal, programas radiofônicos e televisivos de nossa cidade.
Queremos uma cidade mais humana, mais sorridente, mais acolhedora, no mais amplo sentido de existir, por isso a ocupação do centro histórico com apartamentos improvisados e/ou adequados nos velhos casarões da nossa querida São Luís passa também por contemplar o seu uso pelos trabalhadores do serviço público que servem aos governos federal, estadual e municipal, nem que para isso seja necessário à criação de critérios específicos para atender cada categoria aqui mencionada.
Entendo (emos) que a ocupação do centro histórico também por essa categoria de trabalhadores estar-se-á colocando em pauta os atores que diariamente circulando nas ruas e em ladeiras do centro histórico de São Luís de forma inteligente, pois esses atores se sentirão guardiões naturais desse espaço geográfico da cidade, que além de lhe acolher como trabalhador de serviços essenciais para a movimentação da maquinação da cidade, eles serão também defensores do espaço físico em que habitam e moram, portanto haverá um critério afetivo com um “plus” a mais para que esses cidadãos sejam seus defensores.
Assim, fica da sugestão para que a Prefeitura da cidade, o Governo do Estado e próprio Instituto Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) vejam com a urgência necessária o atendimento dessa demanda, uma vez que habitar e reconstruir o centro histórico da cidade de São Luís é tarefa de todos, incluindo o autor desta reflexão, assim como de cada cidadão e dirigente que se sintam responsáveis pela nossa boa convivência de sociabilidade. Uma nova história se começa a construir com ações positivas e que proporcionem oportunidades aos seus habitantes.
Euclides Moreira Neto – Jornalista, Professor Mestre em Comunicação Social e Investigador Científico.
São Luís, 10.07..2019
