25.ª TOMADA DE MONTE CASTELO(*)
(*)Herbert de Jesus Santos

Nem conversa pra boi dormir, cara de réu e amuos de presunçosas autoridades culturais, nada de nada conseguiu atrapalhar a caminhada do Festival de Bumba-meu- Boi de Zabumba, e a sua 25.ª edição acontecerá onde tudo começou, em 1994: na Av. Newton Belo, no Monte Castelo, na extensão do Viva Monte Castelo, ao lado do Comercial Zé Reis, passando na frente do Sindsep (Sindicato dos Servidores Públicos Federais no Estado do Maranhão), por trás da Igreja da Conceição, com início às 21 h e encerramento no amanhecer de domingo. De lambuja, a rapaziada dos conjuntos, com os seus cabeceiras, se reunirão às 12 horas do mesmo dia, quando vão encarar uma feijoada completa para ajudar na restauração das forças consumidas na celebração do Jubileu de Prata, em confraternização na sede do Boi do Mestre Basílio Durans, na Quadra 9, Conjunto Promorar, no Bairro da Liberdade.
Com a exorcização dos maus espíritos, que preferem dar tudo o que podem, em órgãos da cultura maranhense, para estrupícios alienígenas a beneficiar inciativas importantes de preservação das nossas mais caras tradições, o 25.º Festival de Bumba-meu-boi de Zabumba contará com uma extensa programação: Cacuriá Assacana e Baile de Caixa (convidados especiais), e, a partir das 9h30min, a taboca vai rachar, com as estrelas da noite: Boi do Mestre Basílio Durans; Boi de Marcírio da Vila Embratel; Boi Capricho de Oliveira (São Francisco); Boi Unidos Venceremos (de Antônio Fausto, do São Cristóvão); Boi de Mundiquinho (Anjo da Guarda); Boi de Arcanjo (Anjo da Guarda); Boi da Areinha (de Constâncio); Boi da Vila Passos (do saudoso Mestre Canuto Santos, dirigido por sua viúva, D. Elza); Boi da Vila Ivar Saldanha (por Maria da Paz); Boi do Bairro de Fátima (de Dona Zeca); Boi da Fé em Deus; Boi de Leonardo-Liberdade (liderado pela filha do mestre, Regina Avelar); e Boi de Guimarães. Durante o evento, serão homenageados Marcírio Costa Rodrigues (brincante de boi de zabumba), e o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), pelo Complexo Cultural do Bumba-Meu-Boi do Maranhão registrado como Patrimônio Cultural do Brasil.

Cuidado com o boi de zabumba — Escolado nessa matéria desde a infância, e há algum tempo percebendo brechas que se alastram num crescendo, nas fileiras da brincadeira, perguntei, ao telefone, para o calejado boieiro se havia mais grupos com o aumento do interesse dos mais jovens em fortalecer as guarnições, em louvação a São João, e sua resposta foi preocupante em demasia: Ficaram mais fracos ou reduzidos, em algumas partes! Encerrei a entrevista, com Basílio Durans, ali, com a cancha de que o reggae estrangeiro (com uma brutal propaganda nos meios de comunicação indígena) perpetra o massacre da genuína cultura maranhense. Agora, a jogada é colocar, na mídia, que o ritmo jamaicano, para ter sua consolidação na preferência popular, no Maranhão, sofreu a penalização do racismo, depois que não colou que os negros maranhenses eram descendentes de jamaicanos, por sermos, com muito orgulho, dos africanos, e não deixamos daqui que a ignorância prosperasse. Já estamos esperando a manifestação competente e aliada de órgãos oficiais de cultura, professores, comunicadores sérios, intelectuais, e gregos e troianos, pois o bicho está pegando, e o gargalo, contra as criações da nossa mais importante manifestação folclórica, é para lá de muito grande e nocivo!
Zabumba e tambor-de-fogo em Guimarães — Conforme o poeta e pesquisador Américo Azevedo Neto, na sua obra Bumba-meu-boi no Maranhão, no mesmo ano do surgimento das matracas e caboclos reais, nos Bois da Ilha (1868), precisamente, no povoado Jacarequara, então pertencente a Guimarães, Gregório Malheiros substituiu por zabumbas e tambores-de-fogo os pandeiros idênticos aos dos bois de matraca. A seguir, Damásio (há, em Guimarães, uma localidade e um boi com esse nome), com os novos instrumentos, aprimorou o sotaque, criando, dessa forma, o grupo africano, com sua vestimenta cintilante, no futuro.
Matraca e caboclo-de-pena na Ilha: no jornal de 1868 – Com a proibição pela sociedade escravocrata, em 1861, os bois só retornaram no São João de 1868. Seu defensor, o jornalista João Domingos Pereira do Sacramento, em sua crônica no Semanário Maranhense, de 12.7.1868, assim recepcionou, em São Luís, a chegada da matraca e do caboclo-de-pena ou real, no Boi, caracterizando, assim, o grupo indígena: “Introduziram na folgança do Boi, no São João deste ano, repinicados de matraca, no lugar de palmas com as mãos, e uns gritos que arrepiaram minha carne, como nunca se viu antes nas figuras do bumba”! Ali mesmo, criticou autoridades repressoras e abraçou a novidade: “Antes tarde do que nunca! Melhor com essa zoada toda do que o Maranhão passar sem o bumba, como foi de 1861 a 1867!”
Portanto, hora de ajudar o boi de zabumba, para ter mais pujança, com a veracidade de que, em seu começo, todos os brinquedos possuíam o mesmo jeito, até que surgiram, simultaneamente, os de matraca, em São Luís, e os de zabumba, em Guimarães, após a repressão deles pela polícia escravista.
(*)25.ª TOMADA DE MONTE CASTELO: Alusivo a que o antigo Bairro Areal, em São Luís, foi rebatizado com o nome atual em comemoração à Tomada de Monte Castelo, em 21.2.1945. A Batalha de Monte Castelo foi travada perto do final da 2.ª Guerra Mundial, quando os heroicos pracinhas da Força Expedicionária Brasileira (FEB), após fracassadas tentativas das tropas aliadas, lideradas pelos EUA, no conflito, derrotaram as forças do exército alemão, que impediam avanço dos inimigos, no Norte da Itália.
