Cresceu na Madre de Deus e quer de presente mais atenção da parceria dos órgãos culturais
POR HERBERT DE JESUS SANTOS
Será neste sábado magro de carnaval (11), a celebração do aniversário de 87 anos do Bloco Fuzileiros da Fuzarca, em sua sede, na Rua Afrânio Peixoto (Rua Três), na Madre de Deus, com o apagar das velinhas, corte de bolo, batucada e desfile. Pelo que ouvi de batuqueiros veteranos, poderia ser muito melhor, se não houvesse um absurdo que baixou o astral do conjunto, e que eu percebi e tive a solicitação para publicar, na Imprensa, ao acompanhar o FF na tardezinha de domingo passado: Como se não fosse importante sua participação nos circuitos na temporada pré-carnavalesca, foi conversado, por assessores dos órgãos culturais, para não se deslocar àqueles locais oficiais, garantido o recebimento do cachê, que também não é essa grandeza toda. Este contrassenso, por mais incrível que pareça, vocês estão lendo, tintim por tintim!
Soube de um só cachê, no Pré-Carnaval, para o Fuzileiros, no Bloco da Imprensa, na noite de sábado passado, no Bar do Porto (Praia Grande), e fiz questão de honra conferir de perto, no meio da tarde de domingo, vindo com ele desde a sua sede, e para ali retornei, e senti o drama, com uma batucada desmotivada, errando e parando, e cantando um só samba, o do saudoso compositor de mão-cheia madredivino Henrique Reis (Mestre Sapo): “Pra que chorar, se o importante na vida é sorrir?!/Enxugue a lágrima e procure refletir!/Quando você entrar num jogo,/é pra perder ou ganhar;/Se você houver perdido,/só lhe resta aceitar!”

Não sabe da missa um terço, quem achou que por causa da idade avançada dos batuqueiros, pastoras e passistas, seria um bálsamo para o FF poupá-lo de mais exibições. Ledo engano! Acha-se entre o filósofo indiano Mahatma Gandhi e os proverbiais chineses: Não querem o peixe dado de mão-beijada, e sabem muito bem o que é pescar! Calou fundo no amor-próprio dos integrantes do bloco essa depreciação. Hora de os organizadores dos circuitos carnavalescos colocarem o FF de volta na atividade oficial e à sua autoestima!
HÁ 87 ANOS
Nascido a 11 de fevereiro de 1936, na Rua São João, não demorando para enraizar-se na Madre de Deus, o Fuzileiros da Fuzarca veio daí primando pela autenticidade do batuque e originalidade dos instrumentos – pandeiro, cuíca (tambor-onça), retinta, marcação, tarol de mão – de como saiu pela primeira vez, embalado por figuras emblemáticas quanto Cristóvão Colombo da Silva (Alô, Brasil!), Vadico, Henrique, Astrogildo, João Piche, Vitório Sabiá, Roseno, Sabará, Sandoval e outros bambas. Fazem a cadenciada trilha sonora para os sambas famosos que compuseram, na extensão do tempo, Cristóvão, Paletó, Henrique Reis, Patativa (Maria do Socorro Silva), Betinho, Zé Pivó…
O PRETO E O BRANCO DE SEMPRE
Foi Cristóvão quem deslindou a minha curiosidade das fantasias em preto e branco, eu já repórter consagrado: Essas cores se originaram da homenagem que o bloco carnavalesco fez a uma jovem escolhida para ser a sua primeira rainha e que falecera às vésperas do tríduo momesco de 1936. Elegeu outra rainha e saiu com o sinal do luto: Camisa nas cores preto e branco, até hoje, e os efes, até no porta-estandarte, sempre em preto ou branco.
FICOU UNS ANOS DESATIVADO
Preservando as antigas batucadas, o bloco é formado também por pessoas que passaram dos 70 e jovens que se deliciam com os seus sons melodiosos. Para reforçar a Escola de Samba Turma do Quinto, com o advento do enredo e itens mais competitivos, em concurso, a partir de 1974, chegou a ser desativado e ressurgiu em 1987, consoante foi registrado no samba-de-enredo da TQ, de Cesar Teixeira, ao concurso do carnaval de 1979, Dias de Sonhos e Festas: “(…) Que os Fuzileiros da Fuzarca só deixaram marcas por onde eu passei!”
O DESFILE NA PASSARELA DO SAMBA
Não deixem o FF e seus congêneres sem desfilar na passarela do samba! Com dois anos sem carnaval, que foi vitimado pela Covid-19, podendo fazer com que haja esquecimento até do formato do Carnaval de Passarela do Samba, este repórter dá uma canja à organização: Sexta-feira gorda, a partir das 18 h: Apresentação de grupos de tambor-de-crioula, no entorno da passarela; e desfile dos Blocos Tradicionais do Grupo B; Sábado gordo, a partir das 18 h: Grupos de tambor-de-crioula, no entorno da passarela; e desfile dos Blocos Tradicionais do Grupo A; domingo gordo, a partir das 18 h: Grupos de tambor-de-crioula, no entorno da passarela; desfile das Turmas de Samba (10 min) hors-concours: Ritmistas de São José de Ribamar, Ritmistas da Madre Deus, Vinagreira do Samba(Vila Palmeira) e Fuzileiros da Fuzarca; desfile dos Blocos Organizados; e desfile das Escolas de Samba; segunda-feira gorda, a partir das 18 horas: Grupos de tambor-de-crioula, no entorno da passarela; desfile de Alegorias de Rua (Tijupá, Casinha da Roça e Tapera); desfile dos Blocos Organizados; e desfile das Escolas de Samba; e na terça-feira gorda, a partir das 18h: Grupos de tambor de crioula, no entorno da passarela; e desfile das Tribos de Índios.

