Artista visual estampa muros de São Luís, com arte urbana inspiradas nas tradições culturais do Maranhão como Bumba meu boi e Tambor de Crioula, homenageia profissionais da saúde.
Um grande mural em homenagem ao Mestre Leonardo, um dos fundadores do Tambor de Crioula e do Boi da Liberdade, no bairro da Liberdade em São Luís foi finalizado na última quinta-feira (22) pelo artista visual Gil Leros. A obra é parte das ações do projeto “Amo, Poeta e Cantador: Murais da Memória pelo Maranhão” que, neste ano de 2021, vai homenagear 10 personalidades do Bumba meu Boi do Maranhão, como o cantador Humberto de Maracanã do Boi de Maracanã que também já foi finalizado pelo artista.
Paraense de nascença e maranhense de coração
Os murais estão sendo produzido por Gil Leros que apesar de ser natural de Tucuruí, no Pará sempre teve o desenho e a pintura como suas principais ferramentas de comunicação. Quando criança, devido às dificuldades de aprendizagem e desenvolvimento escolar (dislexia – desvio de atenção), viu no papel e lápis para desenho uma válvula de escape, criando um jeito pessoal de lidar com as situações de comunicação.
Com a mudança pra o interior do Maranhão, na cidade de Tuntum , e logo após para São Luís, no fim dos anos de 1990, Gil Leros teve contato com a cultura Hip Hop local, transferindo o gosto de riscar papeis por riscar muros da cidade, dando assim início ao aprimoramento das suas técnicas de pintura e comunicação visual, através de atividades voltadas à arte de rua, tendo-a como seu espaço de desenvolvimento. Com o passar do tempo, montou seu estúdio (Blue House) e estudou Arquitetura e Urbanismo, o que agregou uma nova visão de urbanismo e o reconhecimento de seus trabalhos com intervenções urbanas e o uso da arte na valorização dos volumes arquitetônicos.
No decorrer do tempo, Gil Leros nunca deixou o hábito de espalhar seus grafites pelas ruas, porém estendeu suas habilidades artísticas a outras áreas, sempre envolvendo sua identidade plástica à outras vertentes como arquitetura, música, fotografia e movimentos culturais de sua cidade, já que acredita que a evolução da arte contemporânea está na possibilidade de agregar valores artísticos e pessoais às manifestações de outros artistas, criando uma pluralidade no que diz respeito à produção e manifestação artística cultural, possibilitando evoluções pessoais e coletivas.
Arte espalhada em diversos locais
Durante os anos de 1999 a 2017, promoveu encontros de arte de rua, palestras oficinas e pintou em vários locais de forma espontânea, sem compromisso profissional ou ligado a alguma organização sociocultural. Desta forma, pintou em vários bairros de São Luís e outras cidades, como Fortaleza – CE, São José Do Rio Preto – SP, Santo André – SP, São Mateus – SP, Teresina – PI, Belém – PA entre outras.
O artista é responsável por intervenções urbanas de grande impacto na cidade como na escadaria do Beco do Silva, próximo a Rua Graça Aranha, no Centro Histórico de São Luís cuja estampou duas pintura que viralizaram nas redes sociais da população: a primeira foi a “Coreira do Tambor de Crioula” e a segunda em homenagem às “Janelas coloniais dos casarões” da capital maranhense.
Recentemente o artista visual Gil Leros produziu usou a arte urbana para homenagear os profissionais da saúde do Maranhão. Em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura (Secma), Gil e sua equipe pintaram as escadarias do Centro Social dos Servidores Públicos do Maranhão (Ipem), na Avenida Litorânea, com imagens inspiradas em fotos reais que retratam a luta dos agentes de saúde contra a pandemia do novo coronavírus (Covid-19). De acordo com o artista responsável pela obra, os grafites tridimensionais são uma forma de chamar a atenção da população de São Luís para o trabalho dos profissionais de saúde da região.
O mural em 3D foram estampadas as imagens de uma equipe médica em oração e de outros profissionais de saúde, além de uma pomba branca em referência à paz, que foi ilustrada em meio ao coração estilizado que já é uma marca dos trabalhos de Leros. Ele e sua equipe usaram como referência momentos captados pela fotógrafa da Secretaria de Estado da Saúde do Maranhão, Julyane Galvão, que acompanhou o trabalho árduo de médicos, enfermeiros e técnicos em meio ao surto viral.
Por se tratar de uma estrutura irregular e não uma parede convencional, Gil Leros usou a técnica do videomapping para fazer o mapeamento das superfícies que ganhariam o novo colorido. “Lá na verdade não é uma escadaria. É uma solução de engenharia para conter a força da água que vem da parte de cima do Ipem, para conter a força da água que chegue à avenida [Litorânea]. Se nela uma imagem fosse pintada plana, ela iria criar uma distorção. Com o projetor a gente conseguiu enquadrar e vencer essa distorção. Utilizamos um projetor de grande escala para fazer a projeção dessas imagens e vencer essa diferença de superfície”, explicou Leros.

