Bastaram dois dias sem os serviços de limpeza em São Luís para a cidade ficar suja. Desassistida pelo serviço essencial, a população tem recorrido a cantos de praça, canteiros e calçadas para deixar o lixo, até que a situação seja resolvida.
Na Camboa, são vários pontos tomados pelo lixo na Avenida José Sarney. Nas calçadas e no canteiro central, o lixo está transbordando das lixeiras. Além do canteiro central, onde fica posicionado um contêiner, o lixo também se acumula em parte da Praça da Camboa. A reforma da praça está em fase de conclusão. Foram instaladas lixeiras, bancos, rampas de acesso para pessoas com mobilidade reduzida e uma academia ao ar livre no local. Mas nesse momento, por causa do lixo, o espaço não está servindo para o convívio e o lazer.
No Centro, o lixo também se acumula. Na Praça Deodoro, os vendedores ambulantes têm organizado os resíduos em sacos plásticos, mas eles estão se acumulando. Na Rua Grande, onde há uma intensa produção de lixo, papelão e sacos plásticos estão espalhados nas calçadas, no meio da via e principalmente na porta de algumas lojas que não funcionaram ontem.
Alguns ambulantes também têm limpado parte da via, como aconteceu com Rebeca Gonçalves. “Não concordo com essa paralisação dos garis. A rua fica muito suja e isso afasta os clientes. Nós mesmos varremos e juntamos o lixo para o cliente poder encostar na banca”, disse.
Lojistas temem que a situação prejudique as vendas do fim de ano na Rua Grande. “Os gestores deveriam ter mais responsabilidade de não deixar a Rua Grande chegar nessa situação porque esse é um período de grande movimento. É por causa disso que os clientes acabam indo para os shoppings, que são limpos e organizados”, declarou a gerente da Cattan, Tereza de Jesus.
No ano passado, os agentes de limpeza pública de São Luís paralisaram as atividades por três dias e o lixo se acumulou em diversos bairros de São Luís. A categoria reivindicava reajuste salarial de 23% e acréscimo de R$ 160,00 no tíquete alimentação. Ao fim do manifesto, os trabalhadores obtiveram reajuste de 6,5% nos salários e aumento de R$ 75,00 no tíquete.
De acordo com Honésio Máximo Pereira da Silva, presidente do Sindicato dos Empregados das Empresas de Asseio e Conservação (SEEAC), os trabalhadores ainda não receberam o salário referente ao mês de novembro e não há previsão de quando deverá ser realizado o pagamento da segunda parcela do 13º salário. “A paralisação continua até os trabalhadores receberem os seus salários”, complementou.

