
PERFIL
“É um amor que eu tenho pela brincadeira”
ANDRESSA VALADARES / DA EQUIPE DE O ESTADO
Natural de Pedreiras, o folclorista do Boi da Fé em Deus Antônio Ribeiro, conhecido como Seu Tonico, começou a participar em terreiros juninos aos 8 anos, pagando uma promessa da mãe; depois disso, não conseguiu se afastar mais da cultura popular
Com quatro décadas de dedicação à cultura maranhense, o folclorista Antônio Ribeiro, conhecido também como Seu Tonico, carrega no sangue a tradição dos terreiros juninos. Atual presidente do grupo de bumba meu boi da Fé em Deus, aos 78 anos de idade, ele, que também é cantador, garante que só deixará de brincar nos terreiros quando o seu corpo não aguentar mais.
Nascido e criado no município de Pinheiro, Baixada Maranhense, a sua história com as tradicionais juninas começou a partir de uma promessa feita por sua mãe. Dançando como tapuio de um grupo de bumba-boi, cumpriu a promessa durante o período junino daquele ano. O que ele não esperava era que o que deveria ser apenas um momento um dia se tornaria a sua maior paixão. “A minha mãe conta que foi uma promessa que ela fez. Eu morava em Pinheiro. Eu brinquei o primeiro ano de tapuio, paguei a promessa, gostei e continuei brincando. De tapuio passei para vaqueiro. Nessa época, eu tinha 8 anos”, rememora Seu Tonico.
Em 1968, já com 30 anos de idade, mudou-se para São Luís. Aqui, logo foi se entrosando com o Boi da Fé em Deus, a convite do fundador do grupo, Laurentino Araújo. Desde então, já se passaram 47 anos da história de Seu Tonico e o grupo de bumba-boi da Fé em Deus se tornando uma das partes fundamentais da brincadeira.
“A minha maior lembrança é do dono, Laurentino. Quando cheguei aqui, ele parecia gostar muito de mim. Eu não tinha casa nesse tempo e ele me levou para a dele. Teve uma época em que eu disse que ia embora, mas ele não me deixou sair. Disso eu tenho muita lembrança, de tudo o que ele fez por mim. Ele foi o ‘culpado’ de hoje eu estar aqui”, conta.

Trajetória – Seu Tonico começou como vaqueiro, mas não demorou muito a assumir o posto de cantador do Boi da Fé em Deus, em meados de 1970. Hoje, ele divide a condução das toadas com os cantadores Marcos, Nonato, Roxo e Zezinho. Ele relembra que, naquela época, as coisas eram bem mais difíceis. “Nesse tempo, as coisas eram difíceis. Hoje estão bem melhores. Mas naquela época não tinha recurso, não tinha turismo. A gente fazia a festa na rua”, assinala o presidente.
Após a morte de Laurentino Araújo, outros nomes, como Terezinha Jansen, Eridan e Basílio Durans assumiram o comando do grupo de bumba-boi. Depois, foi a vez de Seu Tonico comandar o grupo, tornando-se responsável por fazê-lo brilhar ainda mais nos terreiros juninos. “Hoje, dos brincantes do Boi da Fé em Deus, não tem nenhum da minha idade. A maior parte dos brincantes que está com a gente hoje foi convidada por mim”, destaca.
Além de cantador do Boi da Fé em Deus, Seu Tonico também comanda um grupo de tambor de crioula. Ele, que se considera um folclorista, garante que toda a sua trajetória com as manifestações culturais aconteceu naturalmente. Desde a dança, a cantoria e a habilidade com os instrumentos do sotaque de zabumba e do tambor de crioula, o presidente afirma que aprendeu sozinho, apenas observando cada detalhe.
“Eu dizia sempre para as pessoas que faziam oficina comigo que era para eles procurarem aprender, pois é muito bom saber de alguma coisa. Eles tinham o privilégio de eu estar ensinando, pois eu nunca tive professor. Eu aprendi olhando”, frisa.
Apesar de um dia ter praticado o ofício de pedreiro, hoje Seu Tonico se dedica apenas ao bumba-boi e ao tambor de crioula. Ele declara que é impossível mensurar o tamanho do seu amor não só pelo grupo, mas como por todas as manifestações culturais do estado. “O Boi da Fé em Deus significa muita coisa para mim. É um amor que eu tenho pela brincadeira. Junto com meus companheiros, ele significa muita coisa, tem muito valor e eu pretendo botá-lo em uma altura que ele nunca chegou, mas merece chegar”, finaliza.
RAIO-X
NOME COMPLETO
Antônio Ribeiro
NASCIMENTO
13 de junho de 1937
13 de junho de 1937
PROFISSÃO
Folclorista
Folclorista
FILIAÇÃO
Tomé Francisco Ribeiro e Raimunda Doroteia Ferreira
Tomé Francisco Ribeiro e Raimunda Doroteia Ferreira
QUALIDADE
Ser alegre
Ser alegre
DEFEITO
Ser realista
Ser realista
ALEGRIA
O bumba meu boi
O bumba meu boi
TRISTEZA
“Quando eu vejo pessoas queridas em situação de decadência”
“Quando eu vejo pessoas queridas em situação de decadência”
SAUDADE
De pessoas que já partiram
De pessoas que já partiram
PLANOS
Colocar o Boi da Fé em Deus em patamares mais altos
Colocar o Boi da Fé em Deus em patamares mais altos
