21/01/2026

O ESTADO E A INVISIBILIDADE DA COR!

Os Dados do Maranhão em 2022, apontaram que o estado tem o 5º maior contingente proporcional que se declaram da cor preta: 10,9%, 779 mil sobre um total de 7.118 milhões de pessoas ficando atrás dos estados da Bahia 21,5%, Rio de janeiro 14,2%, Espirito Santo 12,3% e Tocantins 11,7%. Ainda o MA é o 5º maior contingente percentual dentre as 27 UFs do Brasil: 82,1% (5.850 milhões de um montante global de 7.118 milhões de pessoas. Em 2022, o IBGEi fez um estudo para auxiliar nas políticas públicas para a população preta “DESIGULADADES SOCIAIS PARA A COR OU RAÇA NO BRASIL” abordou temas como: mercado de trabalho e distribuição de renda, condições de moradia e patrimônio, educação, violência, participação e gestão.

A cor da pele é uma constituição de padrão de identidade, que vai somando a outros como por exemplo a questão de gênero. Como ser igual em um sistema e significados e relações sociais que se estrutura ontologicamente com base na desigualdade? E com esses dados faço o recorte racial em alguns aspectos que são de invisibilidade.

Ressalto uma passagem de Marx, no capítulo 4 do Livro O Capital, quando diz: No plano da circulação de mercadorias no mercado de trabalho, capitalistas e operários aparecem como iguais cidadãos, portando mercadorias e dispostos a trocá-las. ………..Neste sentido, em Marx fica bem evidente que a igualdade bem como a fraternidade e liberdade-entre seres humanos no mundo capitalista é puramente capitalista é puramente ilusória (Marx, 1985{1867}.ii Em que condições estão a população afrodescendentes na moradia na educação na participação coletiva e gestão no estado? Portanto, quer se queira ou não, as críticas do mesmo no mundo atual está regido por esta vertente. Então, posso afirmar que nas sociedades ditas livres os sujeitos deveriam ser tratados igualmente pelo estado e pelo conjunto das instituições públicas e privadas, e até mesmo ter igual acesso à dignidade, perpetua outra vez uma argumentação puramente formal. Alguma novidade nessa questão?

A INVISIBILIDADE DA COR, resulta no opressor a te colocar na posição de culpado, quando não, te classificar de arrogante, ou até mesmo ele se coloca na posição de ofendido vitimizado, para que você seja o problema. E assim para que continue na condição e posição de SUBMISSÃO, esse ser negro (a) invisível, através da exclusão, culpabilização. Ah! É a sutileza do opressor. Para o opressor, racista, preconceituoso, o importante é deixar essa marca que perpetua até aos tempos de hoje. E isso é um PODER DE FALA e DE AÇÃO, quando se trata dos (negros, pretos (as) afrodescendentes nos espaços de poder, e as vezes não precisa ser um
espaço de poder grande. Assim acontece nas estruturas de Estado. Que mito de democracia racial do começo do século XXI Gilberto Freire vendeu? Tem tudo a ver?

Os desafios são para o combate ao Racismo Institucional e o Racismo Estrutural, este último tende a ser mais perigoso por ser de difícil percepção dentro das instituições públicas e ou privadas do Estado e das que de forma indireta promovem a exclusão ou o preconceito étnico-racial. Portanto, esses costumes, hábitos, situações e falas embutidas, promovem diretamente ou indiretamente, a segregação ou preconceito racial que está impregnado. VIDAS NEGRAS IMPORTAM!!

Meire Rabello
Escritora, Administradora em RH, Integrante de Religiões de Matrizes Africanas, Educadora Popular
i Dados do IBGE 2022
ii Desenvolvimento Humano e Relações Raciais – Autor: Marcelo J. P. Paixão