
Sem querer alardear a mesmice daqueles que criticam por criticar, venho analisar fatos que acontecem no campo da cultura que colocam a nossa tradição em lugar tenebroso. Isso mesmo, a bola da vez agora são os grupos de Bumba Meu Boi do sotaque de Zabumba, que há vinte anos realizam o seu tradicional encontro para marcar o final da temporada junina e este ano está ameaçado de não acontecer por falta de apoio dos gestores públicos da área cultural.
Este evento tem acontecido normalmente no segundo ou terceiro final de semana do mês de julho, na Avenida Newton Belo, no bairro do Monte Castelo, reunindo quase a totalidade dos grupos de BMB de Zabumba, constituindo-se em um momento de congraçamento e despedida da temporada do ano em que foi realizado, neste a temporada deste ano de 2019.
Portanto, o evento trata-se de um acontecimento é organizado pelos grupos desse sotaque, tendo como coordenador o boieiro Basílio Durans (um praticante considerado decano dessa manifestação e dirigente do Boi da Liberdade 2) em que os praticantes da manifestação se unem para avaliar, relembrar, trocar experiencia, congratular-se e compartilhar a alegria de cada um com a população em geral, incluindo moradores e apreciadores desse sotaque específico da manifestação BMB. Ressalte-se que o sotaque de zabumba é o pai de todos os outros sotaques, pois é o considerado mais nativos e enraizados na natureza cultural de nosso povo.
Com a máxima certeza, esse encontro nunca foi para esbanjar preferência e provocar ciúmes naqueles que praticam outros sotaques dessa manifestação cultural. Isso não, desde o seu início a reunião da turma que pratica o BMB no sotaque zabumba é uma reunião ampla no máximo sentido da alegria de festejar um ciclo virtuosos de seus adeptos com a população, por isso não cabe aqui a arrogância do luxo, do desperdício, da fanfarrice e desdém tão comum em outros campos de atuação e, tão facilmente, constatado naqueles grupos apadrinhados pelos mais ricos.
No Encontro dos Grupos de BMB de Zabumba o que se vê é o povo humilde, simples, trabalhador, sem recursos financeiros e apropriação de um empoderamento cultural ímpar, que quer se manifestar doando-se de maneira mais espontânea possível para marcar o final de um rito festivo, que é cíclico e marca a vida de homens, mulheres, jovens e crianças apaixonados pelo toque/sotaque das zabumbas, em festa.
São homens simples, que tem na prática dessa manifestação o seu momento mais glorioso e amplo de manifestação. Como eles fazem parte de um grupo organizado, que foi com muito sacrifício produzido no sentido artístico, espiritual, religioso e social, juntam-se a arte e a fé em favor de uma causa, que só quem a pratica de maneira espontânea e apaixonada por explicar. Portanto, cabe aos senhores gestores públicos ligados ao campo da política e administração cultural da cidade e do Estado se unirem e socorrer estes praticantes, apreciadores e devotos dessa manifestação, que também é símbolo identitário de nossa gente.
Digo isso com a maior naturalidade, pois as centenas de praticantes desse sotaque de BMB de zabumba são pessoas simples e sem posses, por isso o atendimento que eles pedem é pelo menos o de lhes serem concedidos a infraestrutura básica para o Encontro acontecer sem atropelos. Isto implica no fornecimento de serviços como palco, som, luz, segurança, limpeza das vias púbica do local e adjacências, além do transporte para os diversos grupos.
Essa reivindicação com certeza não apareceu de última hora. Isso não, pois sei que os organizadores com muita antecedência procuram os canais competentes para que esses serviços lhes sejam fornecidos. O que pode ter ocorrido é falta de sensibilidade de alguns programadores e gestores em não atender essas demandas em favor de outras mais alinhada com as práticas políticas daqueles que estão no poder. Assim vão-se esmaiando algumas pratica culturais de nossa espacialidade geográfica. Pena que quase todos os atingindo são de extratos sociais sem os tradicionais “patronos” e “padrinhos políticos” que deixam os nossos grupos culturais em estado de submissão.
Tido isso, torço para que os corações mais sensíveis dos homens e mulheres que estão na gestão pública de na cidade e do Estado revejam essa postura com a máxima urgência e deem uma boa notícia aos organizadores do 20º Encontro de Grupos de Bumba Meu Boi no sotaque de Zabumba”. Ainda há tempo de remediar essa questão com sabedoria e destreza. Afinal são Luís é a Capital Nacional do Bumba Meu Boi, título lhe atribuído recentemente por meio de proposição do Deputado Federal Hildo Rocha e relatado pelo Senador Roberto Rocha (MDB e PSDB, respectivamente), tendo sido sancionado no último dia 4 de julho. Seria estranho esse evento não ocorrer logo neste ano. Não é verdade?
(*)Euclides Moreira Neto – Jornalista, Professor Mestre em Comunicação Social e Investigador Científico.
São Luís, 12.07..2019.
