Os partidos Rede e Cidadania protocolaram na última sexta-feira (16) um pedido de cassação do mandato do senador Chico Rodrigues (DEM-RR), ex-vice-líder do governo Bolsonaro no Congresso, detido pela Polícia Federal com R$ 30 mil escondidos dentro da cueca e entre suas nádegas.
Na representação junto ao Conselho de Ética do Senado, os dois partidos destacam que Chico Rodrigues pode ter cometido três crimes: peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
As legendas consideram que o senador abusou de suas prerrogativas parlamentares ao supostamente captar para si próprio recursos públicos de emendas. Chico Rodrigues foi alvo de operação da PF na última quarta-feira por suspeita de participação em suposto esquema de desvio de verbas para o combate ao coronavírus.
“É aqui claro que o parlamentar que ‘abusa de suas prerrogativas’ está na mesma página daquele agente público que abusa do poder que lhe é conferido. No caso, o abuso de poder é evidente, na medida em que há a alegação de malversação de verbas públicas que só tangenciam o parlamentar pelo fato de ser Senador”, diz trecho da representação, publicado pelo jornal Extra.
O dinheiro na cueca, para as siglas, representa um “ato vexaminoso” e que desprestigia o Senado: “Não há razão alguma que seja capaz de justificar a ocultação de somas de dinheiro que, em tese, deveriam ser empregadas para atender o interesse público”.
De acordo com o portal G1, senadores estão se articulando para barrar a decisão de Luis Roberto Barroso, ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), de afastar Chico Rodrigues do cargo.
Colegas do congressista não gostaram da decisão do magistrado e acham que o mérito deveria ser analisado pelo Conselho de Ética do Senado. Além disso, alguns senadores classificaram a decisão de Barroso como sobreposição de poderes.
Outro argumento dado pelos parlamentares, que se organizam por um grupo de WhatsApp, é que um mandato população não pode “depender do humor” de um ministro.
Por outro lado, senadores admitem que o afastamento de Chico Rodrigues não seria imediato e dependeria do andamento do processo na Justiça.

