As produções audiovisuais maranhenses conquistaram 18 prêmios, reiterando os méritos de cineastas já conhecidos e revelando novos talentos.
Cena do cotidiano de uma família retratada em “O Exercício do Caos”
A solenidade de encerramento do Festival Guarnicê de Cinema 2014, na noite de sábado, 26 de julho, apenas reiterou que esta edição superou expectativas. Com a apresentação do ator Rômulo Estrela, o anúncio dos vencedores teve um valor de homenagem para o público maranhense. Após uma semana de exibição de filmes para todos os gostos, os espectadores ainda testemunharam o reconhecimento de cinco produções locais, dentre as dez que foram premiadas pelas mostras competitivas nas categorias longa e curta.
Patativa recebe o prêmio das mãos do professor Gersino dos Santos, diretor do DAC/UFMA.
O trabalho dos organizadores do Festival, do Departamento de Assuntos culturais da UFMA garantiu um fluxo de quase quatro mil pessoas, enquanto que antigos e novos nomes do cinema no estado surpreenderam os amantes do audiovisual. “O Exercício do Caos”, de Frederico Machado, levou o maior número de prêmios na categoria longa, foram nove troféus. “O Dono da Capoeira”, de Roberto Pereira, conquistou cinco na categoria curta. Outros curtas também garantiram prêmios: “Xiri Meu ‘Eu não dou’ – Patativa”, de Tairo Lisboa, ganhou dois, pela aparição de Patativa – ícone da arte maranhense – e pelo carinho do público; “Passagem”, de Arturo Sabóia reiterou o talento do diretor com mais um prêmio guarnicê. Mas foi “Escolha seu Caminho”, de Alcino Davenport, que abusou da ousadia, desafiou as limitações técnicas e conquistou um prêmio com o júri popular.
Os demais premiados no Festival, na categoria longa, foram os paulistas “Mataram meu irmão”, de Cristiano Burlan e “Triunfo”, de Caue Angeli. Na categoria curta, os paulistas também agradaram: “Preto ou Branco”, de Alison Zago Brito recebeu o maior número de premiações, com seis troféus; “Dream Catchers”, de Gabriel Moura Santana Freire, recebeu um. Ainda nesta categoria, foram premiados o mineiro “Tormenta”, de Fernanda Salgado e Fernando Mendes, e o amazonense “Até que a última luz se apague”, de William Ferry.
Os resultados sugerem um crescimento da produção audiovisual no estado, tanto no que se refere à revelação de novos talentos quanto no que diz respeito à qualidade do que é produzido. Impressões, sensações e análises dos que participaram do Festival revelam entusiasmo, esperança e criticidade quanto ao presente e ao futuro do cinema no Maranhão.
“A premiação serve de incentivo, de estímulo e, sobretudo o reconhecimento da capacidade criativa dos artistas maranhenses, aqueles que têm afeição pelo cinema, que tem equipe que está trabalhando e que precisa apresentar sua produção.A universidade o departamento de assuntos culturais procurou interagir e criar esse ambiente” (Natalino Salgado, Reitor da Universidade Federal do Maranhão).
“É um exercício de fazer cinema numa cidade que não tem cinema, é um exercício de tentar fazer um filme num cinema original, mais intelectualizado numa cidade que não tem esse tipo de cinema, que é mais difícil ainda de ter um cinema popular e ao mesmo tempo é caótico, justamente por a gente não ter essa escola de cinema ainda” (Frederico Machado, sobre “O Exercício do Caos”).
“É o primeiro passo para o Maranhão chegar às telas, eu acredito que ele ainda não está lá” (Ida Castro, atriz, integrante da equipe de “O Dono da Capoeira”).
“O movimento do Maranhão cinematográfico começa desde a década de 70, vem até hoje em dia passando por diversos processos, super 8, 16mm, 35 [mm], digital, então tudo isso mostra nossa trajetória, apesar de não contar com editais públicos, políticas públicas de afirmação de editais, nem da Prefeitura, nem do Governo do Estado” (Tairo Lisboa, diretor premiado).
“Tá começando uma revolução no cinema maranhense, mesmo feito com as dificuldades, quem faz ta começando a percebendo que está acontecendo uma revolução, e eu não dou muitos anos pro cinema maranhense… e o cara do sul, do Rio, São Paulo… ‘Rapaz, eu quero assistir os filmes maranhenses’” (Alcino Davenport, diretor premiado).
“O festival do ano passado pra cá pegou um fôlego, e é isso que é importante, é ele ter fôlego para continuar e apresentar cada vez mais filmes maranhenses, incentivar cada vez mais o cinema maranhense” (Rômulo Estrela, ator convidado para o evento).
“Tem que haver uma qualificação, tem que haver assim ajuda para que nossos cineastas possam produzir, porque ideia a gente tem demais, tá cheio de cineastas aí produzindo; mas a gente, como sempre, buscando recursos e não encontra, as portas fechadas” (Fátima di Francis, radialista).
“Muita gente nova ta fazendo coisas de qualidade, com vontade de fazer, com celular, fazendo com câmera digital. Então, eu acho que o Maranhão tem futuro no cinema” (André Bandeira, estudante de Filosofia).
“Eu fiquei muito feliz pela quantidade de produções, me surpreendeu, porque eu não esperava essa quantidade tão grande de produções locais, eu fiquei muito feliz; só que eu acho que com o apoio, o apoio do governo, o apoio da prefeitura, dos empresários, eu acho que, que a gente tende a crescer bem mais” (Helenira Matos, turismóloga).