20/01/2026

Proposta para Adequação do Carnaval 2021 em São Luís (*)

Proposta para Adequação do Carnaval 2021 em São Luís

Vivemos um período de incertezas muito grande, pois o advento da pandemia do Coronavírus 19 desestruturou todas as práticas desenvolvidas nas diversas sociedades do planeta. Assim, as manifestações culturais e os diversos grupos atuantes nas sociedades foram os primeiros a serem vítimas dessa pandemia aterrorizante.

Só para termos uma ideia praticamente todas as atividades de relacionamentos coletivos e individuais foram afetadas e as pessoas até hoje são convocadas a se manterem atentas para evitar a contaminação do referido vírus que ainda não tem medicamentos e vacinas com comprovação científica de que sejam eficazes. Enfim, ainda estamos reféns desse vírus desconhecido e muito destrutivo.

Todos nós estamos sendo vítimas dessa pandemia e de suas consequências, que tem imposto aos cidadãos o isolamento, o uso constante de álcool e gel, de máscaras e do distanciamento social, como recomendações prioritárias das autoridades do campo da saúde para que não sejamos pegos por esse vírus do mal. Os nossos festejos e diversas atividades do meio sócio comunitário foram cancelados ou adiados para outro momento mais propício – assim ocorreu com os festejos juninos e com certeza vai ocorrer com todos os outros festejos de recepção coletiva até ser encontrada uma vacina e remédios eficazes.

Nesse contexto, prevendo que o Carnaval de 2021 não será executado com a regularidade que vinha sendo desenvolvido nos últimos tempos, permite-nos propor adequar a forma de executar essa atividade (caso seja possível desenvolver alguma prática coletiva de festividades de maneira presencial) com um modelo mais pé no chão, inspirado nos desfiles que ocorriam antes do advento da pandemia Coronavírus 19. Assim, as “Escolas de Samba”, grupos de “Blocos Tradicionais do Maranhão”, “Blocos Organizados”, “Tribos de Índios”, “Blocos Afros” e demais manifestações culturais de nossa terra deveriam se inspirar nos desfiles das “turmas” que ocorriam até o início da década de 1970 na capital maranhense.

Com essa configuração, por exemplo, as “Escolas de Samba” poderiam curtir uma temporada sem os exageros de carros alegóricos, sem as grandiosas comissões de frente (poderá tê-las, mas de forma mais espontâneas), sem diversos casais de Mestres Salas e Porta Bandeiras (poderia ser um ou dois casais, no máximo), etc. Faríamos uma participação inspiradas nas “turmas familiares e de amigos”, onde os praticantes e apreciadores poderiam curtir sua paixão pela cultura carnavalesca ao nosso modo particular de outrora, fazendo uma releitura do que eram os nossos antigos carnavais.

Creio que esse momento atual não caiba aquela competição cega por títulos de campeãs do carnaval, pois esse momento é de garantir a sobrevivências das manifestações e dos grupos culturais, isto é, este momento é de extrema gravidade, no que se refere à atuação dessa pandemia em nosso meio. Sugerimos aos responsáveis pelos grupos culturais  procurar os gestores públicos e negociar com eles uma trégua para que este momento de gravidade por qual passamos possa ser enfrentado conjuntamente, dividindo as dificuldades e responsabilidades de cada um. Nossos grupos precisam mais do que nunca da cumplicidade e da parceria do poder público para que eles continuem existindo e não desapareçam neste cenário de pandemia.

Creio que os recursos aplicados na construção da Passarela do Samba somados aqueles em que o poder público contrata atrações de fora dos nossos limites territoriais poderiam ser revertidos para melhorar as sedes dos nossos grupos, assim como pagar despesas com a regularização jurídica daqueles grupos que ainda estão com problemas para efetivar essa regularização. Como haverá eleições no final deste ano, acredito que o futuro Prefeito da cidade não terá tempo legal para executar ou contratar os serviços e demais atividades que indubitavelmente necessita a estrutura do carnaval, por isso esse investimento seria providencial ser revertido para os atores que normalmente vem desenvolvendo nossa prática tradicional do carnaval local.

Caso contrário, se até o início do ano nada for efetivado, vamos necessariamente conviver com a amarga decisão de não ser possível acontecer as festas carnavalescas e nosso povo estará condenado a ver uma temporada feita por lives de alguns poucos grupos abastados financeiramente e, que, tenham condições de contratar os serviços de empresas especializadas para transmitir seus  programas midiáticos. Poderíamos até propor aos praticantes e responsáveis pelos grupos para concordar em cancelar tudo em nome da construção definitiva da “Passarela do Samba”, mas essa proposta é inviável, considerando que o atual gestor do nosso município está nos seus últimos meses de administração e com certeza sua preocupação prioritária será eleger a seus aliados políticos.

Essa é uma sugestão para reflexão de cada gestor de grupos do campo carnavalesco atuantes em nossa terra. Torçamos para que eles em conjunto com os gestores públicos sejam eficientes para programar ações que contemplem todos os atores desse campo cultural. Pensem nisso. Continuamos atravessando esse período da pandemia Covid 19.

São Luís, 10.07.2020.

(*) Euclides Moreira Neto – Professor Mestre em Comunicação Social e Investigador Cultural  

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