
Nada mais oportuno que a Lei 13.851, publicada no Diário Oficial da União no dia 5 de julho de 2019, pela Presidência da República e sancionada no último dia 4 de julho, reconhecendo a capital maranhense como “A capital Nacional do Bumba Meu”. Essa Lei foi uma proposta de projeto apresentada pelo Deputado Hildo Rocha (MDB-MA) e relatada pelo Senador Roberto Rocha (PSDB-MA). Com essa sanção é reconhecida em definito a importância da manifestação Bumba Meu Boi (BMB) na cidade de São Luís como o espaço geográfico mais efervescente no que se relaciona a prática da manifestação cultural BMB, a principal manifestação do ciclo festivo junino que ocorre no país durante o mês de junho.
Sem dúvida a legião de praticantes dessa manifestação cultural proporciona à capital maranhense um período excepcionalmente diferenciado em toda a região nordestina e no país, pois a festança do ciclo junino na cidade de São Luís não se limita somente a grupos de forró e quadrilhas caipira (aliás, atualmente essa forma já está repaginada para um gênero extremamente carnavalizado), que ganha corpo luxuoso a cada ano que passa com os concursos que são promovidos em diversas cidades da região nordestina.
A manifestação cultural BMB no Estado do Maranhão ganha uma importância que extrapola a própria possibilidade de coexistência de centenas de grupos espalhados em todo região. O maranhense conseguiu reproduzir essa manifestação em várias formas de tocar, que envolve pelo menos cinco ritmos distintos (matraca, zabumba, orquestra, costa de mão e pandeirões), produzindo-se visualmente e interpretando uma fábula caipira que envolvem vários atores que residem o imaginário popular regional, estando entre eles o “Pai Francisco” e sua esposa “Catirina”, que deseja comer a língua do boi mais famoso de uma fazenda. Ainda nesse contexto entra em cena outros personagens como o dono da fazenda, seus vaqueiros, índios da região, curadores (pajés) e a população do lugar. Está manifestação, é, portanto, a união de vários tipos de personagens oriundos dos povos que colonizaram o Maranhão: índios, negros e brancos europeus.
Na verdade, a moral da história se resume em uma grande confraternização depois que o personagem pai “Francisco” mata o boi mais belo do lugar para atender ao pedido de “Catirina” (que está grávida) e deseja comer sua língua. O dono da fazenda fica muito zangado e apela para os pajés e todos os curandeiros da região para que ressuscitem o boi. Com essa ressuscitação, é montada uma grande festa que se torna a maior ópera popular do lugar, então, entram em cena dezenas de grupos culturais da região reproduzindo essa fábula do imaginário popular – coincidindo com a colheita dos frutos plantados na temporada de chuva, fazendo a sua interpretação dessa fábula e culminando com a festança junina, que deixa o povo maranhense em destaque, lhe proporcionando um dos maiores festejos juninos do país e com características bem particulares e únicas.
Voltando a Lei 13.851, cabe informar que o relator do Projeto foi o Senador maranhense Roberto Rocha, o qual utiliza como argumento que essa manifestação cultural está presente em diversos estados do Brasil, mas é no Maranhão que o bumba meu boi se destaca com mais força, como uma expressão da cultura, fé e devoção, misturando elementos de tradições européias, africanas e indígenas. Para o autor do projeto, o Deputado Hildo Rocha a oficialização de São Luís como a capital nacional do bumba meu boi pode produzir impactos positivos no setor turístico.
A agencia do Senado esclarece ainda que “a proposta foi aprovada no mês passado em Plenário pelo Senado, quando foi relatada por Roberto Rocha (PSDB-MA)” Ele disse na ocasião que existem mais de 100 mil grupos de Bumba Meu Boi no país, com força principalmente em cidades no interior do Nordeste, mas o epicentro desta tradicional cultura popular “se dá, de fato, no Maranhão”.
O Senador Roberto Rocha afirmou ainda que ”estes grupos se expressam através de música, coreografias, vestimentas e instrumentos. Uma expressão da cultura, fé, devoção e das relações socioeconômicas que remontam a tempos coloniais. Também conhecida como boi-bumbá, a dança folclórica gira em torno da ressurreição de um boi, envolvendo seres humanos e animais fantásticos”. A cultura remonta ainda às tradições européias, africanas e indígenas, misturadas com elementos católicos, vinculando-se umbilicalmente ao período das festas juninas — descreveu Rocha na ocasião. Ele ainda avalia que a oficialização de São Luís como a Capital Nacional do Bumba Meu Boi pode produzir impactos positivos no setor turístico.
Esse título de Capital Nacional do Bumba Meu Boi é mais um conquistado por esse segmento cultural no Maranhão, lembrando que no ano de 2008 o BMB maranhense já havia sido reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o que de fato referenda a importância da cultura popular no espaço delimitado pelo povo maranhense que possui uma diversidade cultural muito grande e atuante durante todo o ano, reforçando a importância da cadeia cultural e turística para essa região.
(*) Euclides Moreira Neto – Jornalista, Professor Mestre em Comunicação Social e Investigador Científico.
São Luís, 09.07.2019
