
No mais letal incêndio no Brasil em 50 anos, ao menos 231 pessoas morreram e mais de cem ficaram feridas na madrugada de ontem, em Santa Maria (RS).
Durante todo o dia, centenas de familiares perambulavam por hospitais em busca de sobreviventes ou faziam fila para reconhecer os corpos, em dois ginásios da cidade, a 323 km de Porto Alegre. No fim da tarde, uma terceira quadra começava a receber caixões para um velório coletivo. Todas as vítimas foram identificadas ontem e 106 continuavam internadas, 14 delas na capital. A maioria, jovens reunidos em uma festa de universitários, morreu asfixiada. Muitos foram encontrados amontoados nos banheiros, onde tentavam fugir do fogo. Bombeiros e sobreviventes quebraram a fachada da boate a marretadas para retirar as pessoas. Celulares tocavam nos bolsos das vítimas enquanto elas eram resgatadas.
Os corpos foram transportados em caminhões.
O fogo começou na espuma de isolamento acústico da boate Kiss, após um dos integrantes de uma banda manipular um tipo de sinalizador, que atingiu o teto. O guitarrista disse que o extintor de incêndio não funcionou. Segundo sobreviventes, os seguranças, antes de perceberem o incêndio, teriam impedido os jovens de saírem sempagar. “Foi terrível, cena de filme de horror!”, afirmou Michele Pereira, 34.
A boate, com capacidade para mil pessoas, estava com o aval do Corpo de Bombeiros e o alvará de funcionamento vencidos. Ao menos um dos donos da Kiss e membros da banda foram ouvidos pela polícia ontem. Até a conclusão desta edição, a casa noturna não havia se manifestado oficialmente.
O incêndio mais letal no Brasil ocorreu no Gran Circo Americano, em 1961, e deixou 503 mortos em Niterói (RJ). A presidente Dilma Rousseff, que cancelou sua agenda no Chile para voltar ao país, chorou ao se encontrar com famílias das vítimas. O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), afirmou que o Brasil todo está de luto.
FONTE: Folha de São Paulo
