A pintura, matéria-prima desta exposição, não é o ponto focal na trajetória da artista que se considera muito mais desenhista que pintora. O mergulho nas tintas, aliás, é apontado por Marlene Barros como um dos diferenciais desta exposição, que traz telas bastante coloridas. “A impressão que tenho é que de certa forma estou me despendido da pintura nesta mostra. Não é algo definitivo, apenas uma impressão, até mesmo porque a pintura ocupa um lugar diferente, sempre pinto em momentos mais tranquilos, mais íntimos. Não pinto no ateliê, por exemplo, porque é sempre mais agitado”, comenta Marlene Barros.
Se a pintura e o colorido fogem da faceta mais conhecida da artista plástica, o mesmo não se pode dizer do tema que Marlene Barros escolheu para sua exposição. O universo feminino é inerente ao trabalho dela, que costuma dizer que não escolheu esta temática, mas que foi escolhida por ela desde muito pequena. “Meus desenhos, quando criança, eram sempre voltados para o feminino. Desde que me lembro é assim”, comenta.
Temática
Construindo um diálogo entre a intuição e a razão, Marlene Barros aborda em suas telas assuntos como a vaidade, sensualidade, sexualidade, gravidez, sofrimento e aprisionamento social, desejo, amor, entre outros comuns às mulheres. Tudo expresso por meio de traços e também da mistura de técnicas já que em algumas telas ela optou por incluir costura, colagens e outros materiais.
A princípio Marlene Barros planejou a mostra como forma de abarcar não somente a galeria, mas também a cidade. A ideia era expor as telas nos moldes tradicionais, mas também imprimir algumas destas imagens e colocá-las em diversos pontos da cidade. “Seria a mostra na galeria e na cidade. Mas, infelizmente não tive recursos para levar a ideia adiante”, lamenta a artista.
Marlene Barros procura dar uma linguagem contemporânea a sua obra buscando sempre novos rumos em um caminho tantas vezes percorrido por outros artistas, mas principalmente provocando questionamentos em quem observa a sua arte.
Sua primeira individual foi em 1981, na Galeria Universitária do Solar Nazeu Quadro, tendo como tema as mulheres de Bacurituba, sua cidade natal.
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