20/01/2026

O centenário de João Mohana

Raimundo Viana
Professor Universitário
Vice-Presidente da Academia Brejense de Letras
Membro Fundador da Academia Ludovicense de Letras – ALL
Cá da aposentadoria, de hábito, dou-me ao exercício da reflexão. De logo, o passado vira
presente. As contrariedades, deixo-as no esquecimento. E detenho-me sobretudo em relembrar-
me das pessoas que Deus colocara para iluminar, vida fora, meus caminhos. João Mohana foi
uma delas. Um pouco de sua história: filho de imigrantes libaneses, nasceu João Mohana, em
Bacabal (MA), em 15.06.1925, e faleceu em São Luís, em 12.08.1995.
Hoje, celebramos seu CENTENÁRIO. Viveu sua infância, e parte da adolescência, em Viana(MA), onde ainda
estudante se destacou pela influência que exerceu junto à juventude local da época, levando-a a
participar de um sem número de manifestações culturais, como peças teatrais, e de outras da
espécie. Cursou o segundo grau no colégio Marista, em São Luís.
Em 1949, graduou-se em Medicina Pediátrica pela Universidade Federal da Bahia, atendendo assim, como bom filho, o
desejo de seu pai cujo sonho era o de vê-lo médico. Em 1950, retorna para São Luís, onde
exercera a medicina pediátrica, no Departamento Estadual da Criança, ao lado do saudoso
pediatra, Dr. Odorico Amaral de Matos. Cristão por formação e vocação, proferiu um sem
número de conferências sobretudo para os jovens, e em todas elas tinha o cuidado de estabelecer
o elo, que havia de existir entre a medicina do corpo e a da alma, deixando clara nossa
destinação cristã, ao concluir suas palestras sempre com a exortação evangélica: “ad autum nati
sumus”! (nascemos para gestos sublimes).
Em 1952,movido pelo seu conflito vocacional, Médico-Padre, publicou seu primeiro livro, o romance
– O OUTRO CAMINHO. Em 1955, com o falecimento ( 1953) de seu pai, o médico João Mohana percebeu que havia chegado a hora de atender ao chamado de seu OUTRO PAI, o do Céu! Sem apego ao status financeiro e social que,
sobretudo naquela época, lhe conferia a função médica, não hesitou em trocar o Jaleco pela
Batina; deixou Hipócrates e seguiu Cristo, atento às suas advertências: “Si vis salvare, sequere
me! Ego sum via, veritas et vita”! ( se queres salvar-te, segue-me! Eu sou o caminho, a verdade e
a vida!) João Mohana partiu, com muita convicção e determinação em busca do Sacerdócio, seu
outro Caminho. Cauteloso, preparou-se, espiritual e psicologicamente, para essa mudança de
vida, de médico para a de um simples seminarista. Internou-se no Seminário Maior de Viamão –
RS, e se submetera, ordeira e humildemente, a todas as normas disciplinares daquela Instituição,
reconhecidamente, rígidas, como eram as de todos os Seminários Católicos da época. Na
clausura, sua maior e única preocupação era a de concluir, exitosamente, os estudos teológicos,
que o habilitariam, no futuro, ao exercício de seu Ministério Sacerdotal, cumprindo a
determinação evangélica:”ite et docete omnes gentes” ( ide e ensinai a todos os povos!) Em
1960, ordenou-se padre, e retorna para São Luís, onde exercera, até o último dia de sua vida
( 12.08.1995), o Ministério Sacerdotal. Destacou-se por sua pregação entusiasta, atualizada, e de
muita espiritualidade. Exercera o Magistério no Seminário de Santo Antônio, onde tive a honra e
a sorte de tê-lo como meu professor de Filosofia (1961/1963). Acompanhou-me de perto, e
prestou-me, de pronto, o indispensável apoio, e orientação, como Professor, Sacerdote, e amigo,
no momento difícil de minha opção também pelo meu Outro Caminho – da Batina para o
Magistério.
Mohana fizera do Magistério um Ministério, via palavra escrita e falada. Orientava
seus alunos a descerem à própria intimidade; a buscarem, vida fora, sempre iluminados pela Fé,
os próprios caminhos dentro de si mesmo! Não tivemos um mero professor, mas um Apóstolo-
professor.Dedicou-se, inteiramente, em tempo integral, ao exercício de seu Ministério
Sacerdotal. Participou ativamente da vida cultural da Cidade. Sua eleição para Academia
Maranhense de Letras ocorreu em 04.04.1970, ocupando naquele Sodalício, a Cadeira no.03.
  • 2
    Hoje, tenho a honra de tê-lo como Patrono da Cadeira 36, que ocupo na Academia Ludovicense
    de Letras – ALL.
    Enfim, em 12.08.1995, após toda uma vida consagrada à pregação
    da palavra de Deus, com a tranquilidade dos Justos; de missão cumprida; vencido o Bom
    Combate; Praticado a Fé, o Médico, Escritor, Professor, e, acima de tudo, o sábio e santo
    Sacerdote João Mohana partira para a vida em outra dimensão, a ETERNA. Pelo que vi, ouvi, e
    li de João Mohana o PAI o recebera com a saudação evangélica com que recebe seus ELEITOS:
    “ euge! euge! serve bone et fidelis, intra in gaudium Domini tui”! ( Eia! Eia! Servo bom e fiel
    entra na alegria de teu Senhor!).
    _____________________________________________________________________