Nessa quinta-feira, 23, a Universidade Federal do Maranhão (UFMA), em parceria com a Asociación Mexicana de Estudios de Derecho Internacional – AMEI e a Universidad Tecnológico de Monterrey, do México, lançou o livro “Balance Crítico de las Naciones Unidas a 80 años de su creación”. A coletânea, com participação de diversos países latinos, discute as desigualdades estruturais de governança entre o Norte e o Sul globais, e insere a UFMA no cenário editorial internacional.
O capítulo da UFMA que integra a obra examina as assimetrias históricas e persistentes entre Norte e Sul global na configuração de governança “onusiana”, tendo como coautores os professores Cássius Guimarães Chai, Carmelo Cattafi e a doutoranda em direito Mariana Lucena. Segundo Chai, a obra nasceu de uma inquietação comum entre internacionalistas, que foi ganhando densidade ao longo de anos.
“Não se tratava apenas de celebrar um marco cronológico de 80 anos da ONU, mas de perguntar, com alguma coragem, o que ainda sustenta a promessa de San Francisco num mundo no qual o multilateralismo se desfaz nas mãos de vetos, assimetrias e guerras que insistem em não caber nos tratados”.
Publicada pela Tirant Humanidades, a obra estará disponível em breve para aquisição diretamente no site oficial da editora.
Problemas globais e caminhos para superação
A obra aborda problemas globais e está estruturada em quatro eixos temáticos: a crise do multilateralismo, o desenvolvimento sustentável e os direitos humanos, as crises humanitárias e os desafios tecnológicos, e os caminhos para a reforma da organização. De acordo com Cássius Chai, além de apontar problemas reais a serem superados, as discussões impressas na obra expõem as fragilidades das Nações Unidas.
“O livro mostra que não há neutralidade possível quando se fala em paz, segurança e desenvolvimento, pois cada decisão reflete correlações de força que nem sempre se deixam enquadrar pela retórica universalista. O livro expõe essas fraturas, mas também mapeia as brechas de reinvenção, sugerindo que a reforma das Nações Unidas não é um capítulo técnico, e sim um campo de disputa política em que se decide quem pode falar, quem pode vetar e quem é sistematicamente silenciado”.
Segundo o professor, também há uma série de questionamentos sobre em que medida a estrutura do Conselho de Segurança e hegemonia financeira dos países do Norte perpetuam a marginalização do Sul, propondo uma leitura crítica das possibilidades reais de reforma.
Produção maranhense no cenário internacional
Além da importância da obra para debates de importância global, a participação de um professor titular e de uma doutoranda da UFMA em obra de referência internacional publicada por editora de projeção global ilustra a maturidade da pesquisa jurídica e das relações internacionais produzida na universidade.
“É como se duas gerações de uma mesma casa intelectual se colocassem lado a lado, afirmando que o Maranhão e a Amazônia jurídica não precisam chegar atrasados ao debate internacional. Estar em uma obra coletiva dessa envergadura é, ao mesmo tempo, um gesto de reconhecimento e de responsabilidade, porque inscreve a UFMA num mapa de pesquisa que costuma ser desenhado a partir de grandes centros do Norte global”, afirma Chai.
Ainda segundo o pesquisador, a Universidade é um laboratório vivo de internacionalização, demonstrando que a produção acadêmica brasileira, em especial do Maranhão, pode falar com autoridade sobre temas como justiça global, desigualdade e necessidade de reformas institucionais, sem reproduzir agendas externas.
“Ao circular em redes acadêmicas plurais, a UFMA consolida grupos de pesquisa, fortalece suas pós-graduações e demonstra que é possível articular teoria jurídica sofisticada com a sensibilidade de quem conhece na pele os efeitos da periferização na própria ordem internacional”, finaliza.
A participação de pesquisadores da UFMA em projetos editoriais de relevância internacional não apenas reafirma a excelência acadêmica da instituição, mas consolida sua posição como um polo de produção de conhecimento capaz de contribuir diretamente para os grandes debates da atualidade.

