A Unidos da Ponte oficializa sua proposta artística para o Carnaval de 2027 levando para a Marquês de Sapucaí a diversidade sexual e de gênero presente nos povos originários, com o enredo “Tybyras”. Idealizado pelo carnavalesco Nícolas Gonçalves, o tema tem pesquisa do enredista Cleiton Almeida e propõe um mergulho profundo na história do Brasil para refletir sobre a diversidade sexual e de gênero que sempre existiu entre os povos indígenas, muito antes da imposição dos modelos binários ocidentais.
O enredo estabelece uma ponte entre o passado histórico e a luta contemporânea. O ponto de partida é o relato de 1614 do capuchinho francês Yves D’Évreux sobre o episódio de Tibira do Maranhão, um indígena tupinambá executado por missionários pela acusação de “sodomia”, tornando-se a primeira vítima fatal documentada da homofobia e transfobia no território brasileiro.
Para o carnavalesco Nícolas Gonçalves, o desfile será uma celebração da liberdade e uma resposta direta às tentativas de apagamento histórico.
– Com ‘Tybyras, a nossa Escola assume o compromisso de dar luz a uma memória que tentaram silenciar por séculos. Não vamos apenas contar a história de Tibira; vamos mostrar que a nossa ancestralidade é plural, diversa e que a luta pela liberdade dos nossos corpos é, também, uma luta pelo nosso território. É um enredo que transborda vida, resistência e a potência de uma cultura que floresce apesar de toda violência imposta, contou o carnavalesco.
A construção estética do desfile conta com a assinatura da multiartista e designer Auá Mendes, mulher trans, bissexual e indígena do povo Mura. A arte desenvolvida por ela integra a face de Tybyra à fauna e flora brasileiras, elementos que representam a extensão de sua identidade, mesclando símbolos da cultura indígena com as bandeiras dos movimentos sociais dissidentes de gênero.
Além da identidade visual, Auá desenvolveu um novo brasão temático para a Unidos da Ponte para 2027. A peça promove um encontro de etnias e culturas, apresentando uma releitura da coroa tradicional da Agremiação, agora concebida como um manto tupinambá.
O enredista Cleiton Almeida reforça a relevância social da escolha.
-A Unidos da Ponte cumpre um papel muito importante ao dar luz à existência de Tybyra, hoje reconhecido no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. Celebramos tantas outras pessoas indígenas que viveram e vivem o prazer de suas naturezas e que continuam lutando pela liberdade de seus corpos e de seus territórios, é isso que queremos mostrar com o nosso enredo, afirmou.
Por: 100% carnaval

