28/07/2026

Curiosidades sobre as Copas – parte 2

Por Adriano Pinheiro (*)

A Copa de 1978 na Argentina foi sem sombra de dúvida a mais polêmica, nesse caso polêmica é eufemismo. Tivemos um gol de Zico nos acréscimos finais contra a Suécia, que foi anulado, motivo? É que o juiz apitou um fim da partida enquanto a bola fazia a trajetória para o gol. Mudaram a data do jogo entre o Brasil e o Peru para que os argentinos pudessem saber quantos gols precisavam fazer contra o Peru para eliminar o Brasil, isso nas semifinais. Naquela época contava o saldo de gols, e a Argentina precisava fazer quatro gols contra o Peru e fez seis. Há fortes suspeitas de suborno do goleiro peruano. O goleiro do Peru reforçou essas suspeitas em uma entrevista à Folha de São Paulo em 1998. Em 1982, na Copa da Espanha, o Brasil teve considerada a melhor Seleção de todos os tempos, mas infelizmente foi eliminada pela Itália. O Brasil tinha um elenco de estrelas como: Falcão, Zico, Júnior, Toninho Cerezo, Sócrates… apresentou ao mundo um jogo bonito conhecido como “futebol arte”, ali começava uma polêmica se mais vale um show de futebol? Ou resultados e títulos? Tivemos o primeiro árbitro brasileiro a apitar uma final, no caso Arnaldo César Coelho.

A Copa de 1986 deveria ser disputada na Colômbia, mas ela abriu mão por razões financeiras. Depois de uma disputa com o Canadá e EUA, o México venceu e sediou o torneio novamente. O Marrocos dirigido pelo brasileiro José Farias fez com que essa seleção fosse o primeiro país africano a passar da 1ª fase em Copas do Mundo. Na Copa de 1994, realizada nos EUA, o erro do zagueiro colombiano Andrés Escobar, que ao marcar um gol contra e fez o seu país ser eliminado, resultou em seu assassinato ao retornar a Medelin. Tivemos o 1º goleiro a ser expulso, o italiano Pagliuca no jogo contra a Noruega. Foi também a 1ª Copa a ter uma final decidida nos pênaltis, na qual o Brasil sagrou-se tetracampeão.  Na Copa de 2002, ocorreu algo bem inusitado nas eliminatórias, a maior goleada de todos os tempos onde a Austrália venceu de 31 a 0 a Samoa Americana. A situação do Brasil foi muito difícil nas eliminatórias, se classificando aqui no Maranhão. O Brasil teve vários técnicos em curto espaço de tempo, até a contratação de Felipão sagrando-se assim pentacampeão. O treinador da China, Velibor “Bora” Milutinovic conseguiu um feito inédito: dirigiu cinco seleções diferentes em Copas do Mundo: México (1986), Costa Rica (1990), Estados Unidos (1994), Nigéria (1998) e China (2002). Em 2010 temos a 1ª Copa disputada em um continente africano, no caso a África do Sul, e pela 1ª vez a Espanha foi campeã. Vale lembrar que o critério de escolha dos países sedes da Copa não obedecem a uma rotatividade entre os continentes, é algo semelhante a uma licitação, onde os candidatos devem apresentar suas propostas, vence a melhor proposta, bem teoricamente é assim.

A Copa de 2014, realizada no Brasil, foi a mais cara da história, segundo dados do Tribunal de Contas da União, foram 26 bilhões de reais gastos em obras para o evento, o que gerou protestos da população. Apesar da eliminação do Brasil de 7 a 1 para a Alemanha, o Brasil ficou em 4º lugar a melhor colocação daquela Copa até os dias de hoje. Na Copa de 2026 tivemos 48 países na disputa. Isso torna sem sentido as estatísticas da imprensa sobre o torneio, pois de 1930 para cá houve um aumento no número de seleções participantes, as estatísticas são feitas em números absolutos, ou seja, hoje há mais jogos do que no passado no torneio, assim fica fácil quebrar recordes. A FIFA estuda a possibilidade de colocar 64 países na Copa de 2030. Isso seria péssimo, teríamos seleções fracas disputando, ofuscando o espetáculo do bom futebol. Porém, a Copa em qualquer formato que se apresente terá sempre um bom público. O esporte é um momento de união das nações em um mundo tão dividido social e politicamente. Viva a Copa do Mundo!

(*) Professor de História