31/07/2026

Movimento cobra do Governo do Maranhão a retomada da Semana Maranhense de Dança

Criada em 2006, a Semana Maranhense de Dança consolidou-se como um dos principais eventos de dança do Maranhão. Na época de sua criação, o estado era governado por José Reinaldo Tavares, e a Secretaria de Estado da Cultura estava sob a gestão de Antônio Francisco de Sales Padilha.

Ao longo de sua história, foram realizadas 16 edições, transformando a Semana em um grande espaço de formação, intercâmbio, circulação e valorização da dança maranhense. Em 2026, completam-se 20 anos desde sua criação, mas o evento, que deveria estar celebrando duas décadas de história, permanece fora do calendário cultural do estado.

A Semana Maranhense de Dança ultrapassava os limites de São Luís. Caravanas de diferentes municípios do interior se mobilizavam para participar da programação, reunindo bailarinos, professores, escolas, grupos e companhias. O evento movimentava toda uma cadeia criativa e econômica da dança, gerando trabalho e circulação para artistas, produtores, técnicos, figurinistas, iluminadores, professores e diversos outros profissionais do setor.

A 16ª e última edição aconteceu em novembro de 2022, durante o governo de Carlos Brandão, tendo Yuri Arruda Milhomem como secretário de Estado da Cultura. A partir de 2023, a Semana deixou de ser realizada e não retornou ao calendário estadual. Passados quatro anos, um evento construído ao longo de 16 edições continua sem continuidade.

Diante desse cenário, o maranhense Fran Mello, radicado em Itaboraí (RJ), diretor artístico da Companhia de Ballet da Cidade de Niterói e coordenador da Niterói Semana de Dança, decidiu assumir um movimento público pela retomada da Semana Maranhense de Dança.

A mobilização pretende reunir artistas, bailarinos, professores, coreógrafos, escolas, companhias e profissionais que participaram das diferentes edições para cobrar do Governo do Maranhão uma resposta e, principalmente, uma ação concreta para que o evento seja restabelecido.

“Não estamos pedindo a criação de um novo evento. Estamos cobrando a retomada de uma política cultural construída durante 16 edições, que mobilizava artistas da capital e do interior e fortalecia toda a cadeia produtiva da dança no Maranhão. Uma história dessa dimensão não pode simplesmente desaparecer do calendário cultural do estado.”, afirma Fran Mello.

Mobilização ganha força entre artistas

A campanha iniciada por Fran Mello rapidamente repercutiu entre profissionais da dança maranhense. Nos comentários da publicação nas redes sociais, dezenas de artistas relataram a importância da Semana Maranhense de Dança em suas trajetórias e defenderam seu retorno.

Veja a publicação que deu início à mobilização. Clique aqui

Os relatos apontam que o evento era um dos principais espaços de formação e intercâmbio do estado, permitindo que artistas iniciantes apresentassem seus primeiros trabalhos, participassem de oficinas com profissionais reconhecidos nacionalmente e estabelecessem redes de colaboração.

Também foram lembrados o impacto econômico e a capacidade do evento de reunir escolas, grupos e companhias da capital e do interior, fortalecendo a circulação da produção artística maranhense.

Nos comentários, artistas recordam que a Semana era um espaço onde muitos tiveram a oportunidade de subir ao palco pela primeira vez, assistir a grandes espetáculos, participar de processos formativos e criar vínculos profissionais que marcaram suas carreiras.

Outros relatos destacam que o fim da Semana representa a perda de uma política pública construída ao longo de duas décadas. Entre as preocupações levantadas estão a diminuição dos espaços de circulação artística, a falta de continuidade das ações públicas para a dança e o êxodo de profissionais que deixam o Maranhão em busca de oportunidades em outros estados.

Há ainda manifestações que apontam a importância da Semana Maranhense de Dança e da Semana Maranhense de Teatro como eventos fundamentais para a formação de artistas, democratização do acesso à cultura, fortalecimento da produção local e valorização da classe artística. Para diversos participantes da mobilização, o desaparecimento dessas iniciativas representa não apenas o fim de festivais, mas o enfraquecimento de políticas culturais estruturantes para o estado.

O movimento agora cobra do governador Carlos Brandão e da Secretaria de Estado da Cultura do Maranhão a retomada de um evento que marcou a história da dança maranhense e que, segundo os artistas mobilizados, permanece como uma demanda da classe cultural.

Vinte anos após sua criação, a pergunta permanece: quando a Semana Maranhense de Dança voltará a ocupar o lugar que conquistou na cultura do Maranhão?

Foto:

Crédito: Clarissa Anfevi

Por:

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