31/07/2026

Thais Fonseca Nunes, escritora da UFMA, lança romance distópico e representará o Maranhão no Encontro de Literatura Fantástica – Elifant do Cerrado 2026, dia 22 de agosto, em Brasília.

A escritora maranhense e doutoranda em Cultura e Sociedade da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Thais Fonseca Nunes, representará o estado no Encontro de Literatura Fantástica – Elifant do Cerrado 2026, realizado no dia 22 de agosto, em Brasília. Durante o evento, a autora apresentará seu novo romance, Sala 22, uma distopia corporativa que propõe reflexões sobre as relações entre tecnologia, trabalho e os desafios da transformação digital na sociedade contemporânea.

Publicado pela Editora Flyve, com curadoria do selo Oito e Meio, Sala 22 acompanha a trajetória de Rute, uma jovem do interior que se muda para a capital em busca de uma vida melhor. Ao ingressar em um grupo secreto de empreendedores, a protagonista passa a enfrentar uma competição marcada por promessas de ascensão social, meritocracia e exploração, em uma narrativa que questiona os impactos do neoliberalismo e da plataformização do trabalho.

Segundo Thais Nunes, a ideia para o romance nasceu da percepção de que o avanço tecnológico nem sempre é acompanhado por melhorias nas condições de vida da população. “Desde o surgimento da internet e do avanço da transformação digital, havia um grande otimismo em torno da inovação. No entanto, nem sempre esse processo trouxe benefícios sociais. Hoje, vemos a uberização, a precarização do trabalho e a substituição da mão de obra. Quis levar esse sentimento de desilusão para o romance não para incentivar a desesperança, mas para problematizar essas questões, compreender suas dimensões e pensar possíveis soluções”, explica.

Para a autora, a literatura distópica também convida o leitor a questionar discursos naturalizados sobre inovação e progresso. “Será que essa aceleração dos processos, a produção massificada de conteúdo e a homogeneização provocada pelas inteligências artificiais são realmente o futuro que queremos? A distopia permite desnaturalizar essas ideias e refletir sobre a relação entre tecnologia e trabalho”, afirma.

Além da atuação como escritora, Thais é licenciada em Letras pela Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), mestra e doutoranda em Cultura e Sociedade pela UFMA. Sua pesquisa investiga utopias e imaginação de futuros na obra da escritora Ursula K. Le Guin, articulando literatura, tecnologia e sociedade.

A pesquisadora destaca que a universidade desempenha um papel essencial na construção de novas perspectivas sobre ciência e inovação. “A UFMA é fundamental no meu processo de escrita. Como pesquisadora de ficção científica, estou sempre observando como os processos de ciência e inovação se desenvolvem, tanto no Brasil quanto em outros países. Na área de Cultura e Humanidades, buscamos refletir sobre que futuro está sendo proposto pelas narrativas de inovação, especialmente aquelas difundidas pelo Vale do Silício e pelas grandes plataformas digitais. É muito importante que a academia problematize esses modelos e pense outras tecnologias. A universidade, especialmente na América Latina, tem um papel essencial para imaginar outros futuros e construir alternativas para a sociedade que queremos”, ressalta.

No Elifant 2026, Thais participará de uma conversa sobre o processo de escrita de distopias e o papel da ficção especulativa na compreensão dos desafios contemporâneos. Para ela, eventos dedicados à literatura fantástica fortalecem o intercâmbio entre escritores, pesquisadores e leitores. “A ficção científica e a literatura fantástica nos ajudam a imaginar outros futuros e outras possibilidades de sociedade. Elas não são apenas entretenimento, mas também ferramentas para provocar reflexão e transformar a forma como enxergamos o mundo”, conclui.

Mais informações sobre o livro Sala 22 e a pré-venda podem ser acessadas [clicando aqui].