20/01/2026

Ministros trapalhões

Crédito: Divulgação

Os principais auxiliares de Bolsonaro mais produziram bagunças administrativas e despautérios verbais, em 100 dias de governo, do que apresentaram projetos que modificassem a realidade de suas pastas

Desde que o governo Bolsonaro começou, toda semana o ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodriguez, demite alguém. Em 14 semanas, Vélez já trocou pelo menos 13 pessoas nos cargos de alto escalão. Em um país que se esforça para reduzir gastos, a alta rotatividade na Educação já gerou um custo de R$ 180 mil em pagamentos para secretários que se deslocam a Brasília para serem defenestrados logo em seguida. Vélez é a mais vistosa ave da ala de ministros exóticos do governo Bolsonaro. Uma equipe que tem se esmerado em provocar constrangimentos e trapalhadas.

No discurso anterior à posse, a promessa de Bolsonaro era formar um ministério enxuto, com apenas 15 pastas, eficiente e eminentemente técnico. De saída, quebrou-se a regra de austeridade: o governo chegou a 22 ministérios. Em alguns casos, porém, o perfil foi atingido. O ministro da Economia, Paulo Guedes, é o melhor exemplo, assim como o da Justiça, Sergio Moro. Também é assim com o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas. Mas, em outras áreas, especialmente aquelas em que prevaleceu a indicação do astrólogo Olavo de Carvalho, os escolhidos beiram o bufo. Além de Vélez, há Ernesto Araújo, nas Relações Exteriores, versando a constrangedora defesa de que o nazismo de Adolf Hitler foi um movimento de esquerda, apenas porque o partido do déspota se chamava Nacional Socialista. E tem também Damares Alves, que assumiu o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, emitindo várias opiniões desvairadas, como aquela em que “meninos vestem azul e meninas vestem rosa”.

No final da semana passada, havia informações concretas de que Vélez se tornaria o segundo ministro demitido por Bolsonaro, depois da saída de Gustavo Bebianno da Secretaria de Governo. Há quem diga que a demissão só não se concretizou porque vazou para a imprensa, e Bolsonaro, então, desistiu para não passar a ideia de que estava sendo pautado pelos jornalistas. Desde a primeira semana, Vélez coleciona problemas. Um dia depois de tomar posse, ele fez mudanças no Programa Nacional do Livro Didático autorizando no decreto que os livros tivessem publicidade. Diante da repercussão, disse que a portaria tinha sido publicada por engano e a anulou. Depois, determinou às escolas que exigissem que as crianças cantassem o Hino Nacional e que elas fossem filmadas na ação patriótica. Novo recuo de Vélez. Mais tarde, suspendeu a determinação de mudanças no Sistema de Avaliação da Educação Básica. O problema é que as decisões de retroceder não provocavam apenas constrangimentos. Até hoje o Ministério não definiu a compra de livros didáticos.

Não foi ditadura?

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