
Apesar de o poder público novamente esqueceu, a data de 8 de maio é oficialmente reconhecida como Dia Municipal do Bloco Tradicional, em projeto de Lei do Vereador Dr. Gutemberg Araújo, aprovado por unanimidade pela Câmara Municipal de São Luís. Os blocos tradicionais de ritmo, mais importantes manifestações do carnaval maranhense tornaram-se autêntico patrimônio cultural da cidade de São Luís do Maranhão.
Os blocos tradicionais são oriundos da Ilha de São Luís, tendo surgido na década de 1930. Seu ritmo era mais cadenciado e suas fantasias mais simples do que hoje em dia. Fizeram parte de um inventário da Prefeitura de São Luís para que o Iphan reconhecesse a manifestação como patrimônio imaterial do Brasil. Porém, a pesquisa não foi completada (devido ao falecimento de sua coordenadora, a saudosa Michol Carvalho) e o projeto foi arquivado. Haverá novo pedido brevemente. Um dos pontos que o Iphan vetou foi uma suposta origem dos blocos me solo carioca, o que não é verdade. Apesar da influência nacional do carnaval do Rio de Janeiro, os blocos surgiram de forma espontânea pelo país e, em São Luís, além dos blocos de sujo e turmas de samba, registrou-se o surgimento de pequenos grupos que iam às ruas fantasiados, tocando pequenos instrumentos e cantando sambas.
E por que o dia 8 de maio? Trata-se do nascimento do mestre cultual Walmir Moraes Corrêa (Mestre Walmir), considerado o maior dirigente carnavalesco do Maranhão em todos os tempos e um dos ícones da cultura popular maranhense. Sua história de vida artística confunde-se com a dos blocos tradicionais, sendo que Mestre Walmir dedicou sua vida a essa categoria cultural, desde criança até o ano de 2010, quando nos deixou no dia 27 de junho.
Dedicado professor da antiga Escola Técnica Federal do Maranhão, Walmir Moraes Corrêa é natura de São Luís do Maranhão, filho de Seu Hermírio Moraes Corrêa e Dona Maria de Lourdes Rocha Moraes Corrêa. Foi reconhecido como Mestre pela Câmara Municipal de São Luís e entidades culturais, entre elas o Conselho Internacional de Folclore (CIOFF), a Organização Internacional de Folclore (IOV) e o Ministério da Cultura (MinC). Professor, artesão, poeta, compositor, desenhista, projetista, pedreiro, desportista, fabricante de instrumentos de percussão, dirigente carnavalesco e representante cultural, ensinou duas gerações a arte do bloco tradicional, desde a elaboração dos instrumentos, organização dos grupos e montagem de desfiles de passarela e apresentações de rua até a organização enquanto entidades e elaboração de projetos.
Dirigiu e conquistou títulos (ao lado do irmão Waldete Cabeça Branca) da Tribo Os Apaches e Bloco Os Vigaristas, além de outras manifestações artísticas. N da 01 de mai de 1976, fundou o Bloco Tradicional Os Foliões junto ao irmão Waldete e aos amigos Carlos Augusto, Luís Fernando e Mauro Sérgio.
Destaca-se como autêntico símbolo da cultura popular, sendo uma das maiores referências do carnaval maranhense em todos os tempos. Seu nome foi dado a um concurso literário infanto-juvenil e a uma premiação cultural, além de que ganhará publicações sobre sua vida, documentário em vídeo e um futuro espaço para exposições culturais.
