20/01/2026

A PASSARELA DO SAMBA E OS NOVOS RUMOS PARA O CAMPO CULTURAL

Por Euclides Moreira Neto (*) 

Começamos o ano de 2021 com as esperanças afloradas de que novos rumos vão nos iluminar nos próximos quatro anos. Assim esperamos que a gestão do Prefeito Eduardo Braide nos proporcione práticas iluministas, inovadoras, revigoradoras e compartilhadas de maneira abrangente com a sua gestão e àqueles que labutam diariamente com o fazer cultural de nossa região, especialmente aqueles que estão localizados no município de São Luís.

Até o último dia do ano as especulações de quem iria assumir a Secretaria da Cultura do Município de São Luís – SECULT – era o assunto mais comentado nas rodas de amigos e pessoas preocupadas com esse segmento. Nosso medo maior era de que o nosso Prefeito escolhessem uma indicação política, que, segundo nossa percepção, até poderia dar certo, mas com certeza teríamos um agente de uma tendência política específica, o que poderia causar muito descontentamento junto aos atores desse campo vital para a boa sociabilidade da cidade, pois esse agente estaria também a serviços de uma facção (no bom sentido) do campo político, contrariando o que chamamos de laicidade, considerando que o estado deve ser laico, além disso, as experiências postas em práticas, na nossa cidade, são tristes.

Graças a Deus, o Prefeito Braide teve a sapiência de escolher um agente que está legitimado no meio cultural local, tendo, portanto a credibilidade de desenvolver um diálogo com os diversos segmentos dessa cadeia produtiva que tem papel fundamental para a cidade, afinal a capital maranhense é talvez a cidade brasileira que detém a maior diversidade cultural entre todas as capitais do país, e, por conseguinte, as suas demandas são também proporcionais a esse título que só nos engrandece.

Falamos do cantor, compositor, publicitário, ator e multimídia Marcos Duailibe, que se não me falha a memória, nasceu e cresceu na região do bairro da Madre de Deus, o sítio populacional rotulado de mais cultural da cidade. Há controvérsias, mas sem dúvidas, o bairro de Marquinho é pulsante e efervescente sendo detentor de uma dinâmica cultural invejável. Independente desse detalhe geográfico, nosso novo Secretário Municipal de Cultura já demonstrou ao longo de sua vida uma intensa conexão com essa cadeia produtiva, portanto este ponto supervaloriza seu status como mediador da política que deverá ser implantada na cidade a partir de agora.

Não precisamos mais enumerar as ações, projetos e equipamentos que foram desdenhado e prejudicados pela gestão anterior, quando tivemos oito anos de obscuridade e os atores desse segmento ficaram órfãs, sem voz eficaz para o campo cultural, pois desde o primeiro ano de gestão do senhor Edvaldo Holanda Júnior, os grupos do campo carnavalescos tiveram um tapa na cara, quando o Prefeito e o ex-presidente da Fundação Municipal de cultural não realizaram os concursos oficiais desse campo cultural, prejudicando em muito essa cadeia produtiva.

Agora, passada a longevidade temporal do período EHJ para fechar esse ciclo que classifico obscurantista com chave de ferro – enferrujado – veio a Pandemia e o ex-prefeito que não deu a mínima para o campo cultural, acaba seu mandato de modo desolado, não tendo condições de gerir sequer os recursos que foram disponibilizados pela Lei Aldir Blanc, pois ele em vez de regulamentar a política municipal de cultura, não fez nada e destruiu o que estava encaminhado.

Já que falamos em grupos carnavalescos, não custa lembrar que a atual gestão tem um desafio prioritário em tentar resolver os problemas desse segmento, pois o espaço sagrado dos grupos desse campo de atuação é a Passarela do Samba e a gestão que saiu deixou uma série de obras inacabadas que prejudicaram em muito esse espaço, como ignorar a via auxiliar da produção dos eventos que ali eram realizados quando executou o Projeto de intervenção do entorno da Fonte do Bispo sem uma conversa formal com os atores que seriam atingidos (Escolas De Samba, Blocos Tradicionais Do Maranhão, Blocos Organizados, Tribos De Índio, Blocos Afros, etc.), além de modificar a mobilidade da via que fazia circular os carros alegóricos na área da dispersão da referida passarela.

Se o projeto deixado pela gestão do senhor Edvaldo Holanda Júnior for concluído como ele deixou, os grupos do ciclo carnavalesco vão se ver invadidos por uma série de comerciantes que não tem nada haver com a sua prática, além de poluir e criar dificuldades para o desenvolvimento de qualquer ação naquela região. Cabe a Marcos  Dualibe chamar com urgência os responsáveis pelos grupos culturais e discutirem abertamente soluções para tornar possível e viável esse projeto.

Sem dúvida os segmentos do campo cultural de origem popular precisam ser vistos com maior atenção e somente com a participação ampla de todos os interessados é que isso poderá ser resolvido. Não é cercando o espaço sagrado dos desfiles oficiais desses grupos que vamos resolver os problemas. O carnaval deste ano já foi uma amostragem de como não se deve desenvolver políticas públicas para esse campo: permitiram que a Passarela fosse cercada por dois circuitos de música axé, massacrando os grupos locais, sem um mínimo de respeito e discussão coletiva. Pensem nisso…. Continuamos a atravessar o período de pandemia da Covid 19, na esperança por dias melhores.

São Luís, 05 de janeiro de 2021.

(*) Professor Mestre em Comunicação e Investigador Cultural.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.