20/01/2026

ANSIEDADE: UM FENÔMENO NORMAL E SOCIAL.

Por Hamilton Raposo(*)
A dualidade da vida se resume no viver e no sofrer, fato que permeia indagações de como o homem do século XXI, que deveria ser feliz, alegre, capaz de transmitir sentimentos positivos como o amor, a solidariedade e a empatia para o outro e para o meio-ambiente, conseguiu ser tão devastador e ter tantos sofrimentos e tanta dor?
O quê falhou na humanidade?
-O homem do século XXI tem acesso a todas as tecnologias, a mais poderosa indústria do lazer, a uma indústria farmacêutica que tem tratamento e promessa de cura para todos os males, e mesmos assim o homem tem a sua vida permeada pela sensação subjetiva de solidão, dor e mal-estar.
A felicidade parece sempre distante ou milimetricamente disponível na tela de um smartfone ou de um computador, em um passeio ao shopping, uma viagem ou simplesmente na vida do outro. A felicidade às vezes fica tão próxima e banalizada que nunca é encontrada ou alcançada.
E porquê o homem não é capaz ou não consegue transmitir sentimentos de amor, solidariedade, empatia e respeito com o outro e para a natureza?
-O homem criou uma sociedade voltada exclusivamente para a produção e consumo. A sociedade é cada vez mais exigente e hostil, cada vez mais competitiva, gerando sempre excesso de expectativa e frustração.
A ideia de sociedade perfeita, a idéia bíblica do Éden, em que tudo seria perfeito e acessível aos olhos de Deus, acabou com o pecado original ou com a própria evolução social do homem.
A perspectiva de uma sociedade voltada para a produção e consumo, estabeleceu nesta própria sociedade a existência do desejo, determinando no homem a expectativa e a mudança neuropsicológica de preparação para a realização do desejo.
“O homem está sempre imaginando que a existência tem a obrigação de materializar a sua imaginação, o seu desejo.”
E tudo aquilo que imaginamos, nem sempre se concretiza ou se concretizará, existindo assim, a probabilidade do fracasso e da frustração, que é um estado desconfortável do humor, um sentimento vago de apreensão negativa em relação ao futuro ou uma inquietação interna desagradável.
As mudanças biológicas e psicológicas que se manifestam diante de uma frustração, não devem ser consideradas como um fenômeno anormal ou patológico e sim como um fenômeno normal e necessário para a definição da existência do homem, como um ser biológico, social e racional.
(*) Médico Psiquiatra 

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