As eleições gerais de 4 de outubro de 2026 redesenharam completamente o mapa político do Maranhão e deixaram lições profundas sobre alianças, vaidades familiares e a força do voto popular legitimador de bancadas. O resultado para o Governo do Estado, Senado, Câmara Federal e Assembleia Legislativa confirma uma virada histórica comandada pelo ex-prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), e expõe o esfacelamento do projeto continuísta do Palácio dos Leões.
1. O DUELO FAMILIAR QUE NÃO FOI
As duas principais candidaturas tinham o mesmo viés familiar, mas de correntes políticas antagônicas. Eduardo Braide (PSD), ex-prefeito de São Luís por dois mandatos, ex-deputado estadual e federal. De outro lado, Orleans Brandão (MDB), sobrinho do atual governador Carlos Brandão, lançado como candidato oficial do governo.
Orleans personificava a tentativa de criar uma dinastia Brandão. Carlos Brandão, que chegou ao governo em 2022 graças a uma ampla aliança costurada por Flávio Dino (PT, PDT, PSB, PCdoB, MDB), deveria ter cumprido o acordo que o elegeu: manter a unidade do grupo dinista e viabilizar um sucessor de consenso. A ambição pelo poder falou mais alto. Ao abandonar antigos aliados – notadamente o PT do vice-governador Felipe Camarão e o PDT de Weverton Rocha –, Carlos Brandão rachou sua própria base.
Resultado oficial TRE-MA: Braide 54,02% (2.104.122 votos) eleito no 1º turno. Orleans 34,76% (1.354.044 votos). Diferença de quase 750 mil votos. Braide não apenas venceu; elegeu expressiva bancada e apoiadores. Sua coligação (PSD, PP, NOVO, Republicanos) garantiu os dois senadores – André Fufuca (PP) com 1.530.187 votos (21,43%) e Lahesio Bonfim (NOVO) com 1.471.859 votos (20,61%) – ambos ao seu lado. O grupo governista soma 12 deputados estaduais. O grupo de Orleans ficou dividido. A candidatura de Roseana Sarney (MDB) ao Senado, com 1.171.634 votos, competiu diretamente com Orleans, drenando votos do interior sarneísta. Roseana ficou em 3º lugar e fora do Senado, a grande decepção.
2. A TERCEIRA VIA TRAÍDA – FELIPE CAMARÃO
A terceira via, encabeçada pelo vice-governador Felipe Camarão (PT) com 9,60% (374.039 votos), foi traída pelo atual governador. Mesmo com apoio de Lula, que esteve duas vezes no Maranhão, Camarão não agregou votos e não emplacou. O PT elegeu apenas 2 estaduais e 1 federal (Rubens Jr. 92.916 votos).
3. O LEGISLATIVO LEGITIMADO
Federais (18): Pedro Lucas Fernandes (União) 188.853 – 1º mais votado; Iracema Vale (MDB) 179.351 – 2ª mais votada e maior votação feminina da história; Vinicius Ferro 166.880; Fabiana Vilar 160.361; Aldir Junior 141.764; Amanda Gentil 137.642; Larissa DP 137.136; Erlanio Xavier 127.715; Juscelino Filho 124.794; Hildo Rocha 115.172; Mariana Carvalho 113.228; Junior Lourenço 107.410; Marreca Filho 99.698; Rubens Jr. 92.916; Josivaldo JP 87.663; Aluisio Mendes 83.152; Dr. Orlando 82.827; Márcio Jerry 54.953. MDB 5 cadeiras, PL 4, União 2. Cinco mulheres eleitas (+66%). linhares (42): Mais votados Maedja Campos (PDT) 102.598, Gleydson (MDB) 95.282, Paulo Casé (União) 95.237. MDB 17 cadeiras, PL 7, PSD e Republicanos 4 cada. Renovação de 59,5%. Senado: Fufuca e Lahesio derrotaram Roseana, Weverton (1.086.318) e Eliziane Gama (696.298).
4. PRESIDENTE – SEGUNDO TURNO
No Brasil, 1º turno: Flávio Bolsonaro (PL) 47,03% (56.104.268 votos) e Lula (PT) 45,16% (53.876.617 votos), diferença de 2,2 milhões. Segundo turno em 25 de outubro de 2026. É o primeiro turno mais equilibrado desde a redemocratização e a 8ª vez com 2º turno. Outros: Augusto Cury 2,94%, Renan Santos 2,59%, Ronaldo Caiado 2,2% e Zema 0,28%.
CONCLUSÃO – BOA SORTE E APELO 
As urnas disseram que o Maranhão não aceita projetos familiares impostos sem diálogo. A vitória de Braide é a vitória da municipalidade contra a máquina que se dividiu por ambição. Aos eleitos – governador Braide, senadores Fufuca e Lahesio, aos 18 federais (com destaque para nossa Madrinha Iracema Vale, 179.351 votos) e 42 estaduais – desejamos boa sorte. Que os mandatos legitimados sejam exercidos com responsabilidade.
Faço um apelo final, como comunicador: que o gestor foque sua ação nos mais necessitados, nas periferias de São Luís, nos sertões de Arame, São Pedro dos Crentes e nas quebradas onde a Favela do Samba mantém viva a cultura desde 1951. Que invista nas manifestações identitárias – bumba meu boi, tambor de crioula, reggae e samba, que é resistência. O Maranhão precisa de menos sobrenomes e mais políticas públicas.
São Luís-MA, 07 de outubro de 2026.
Euclides Moreira Neto – Ph.D. em Comunicação, Linguagem e Cultura/UNAMA; e Professor do Curso de Jornalismo/UFMA.

