O Centro Histórico de São Luís voltou a ser palco de resistência cultural. Desta vez, não foi festa: foi protesto. Blocos Alternativos de Rua ocuparam as ruas para denunciar aquilo que já virou rotina no Carnaval maranhense a exclusão sistemática dos artistas locais e o apagamento deliberado dos blocos tradicionais de rua por parte do Governo do Estado e da Secretaria de Estado da Cultura.
A manifestação teve duas pautas centrais, claras e urgentes. A primeira: artistas maranhenses que participam dos editais, são credenciados, cumprem todas as exigências legais, mas simplesmente não são chamados para se apresentar. Editais viram peças decorativas, usadas para justificar um discurso de “transparência”, enquanto, na prática, os mesmos nomes de fora ocupam os palcos e consomem quase todo o orçamento público do Carnaval.
A segunda pauta é ainda mais grave: a exclusão completa dos Blocos Alternativos de Rua da programação oficial do Carnaval de São Luís. Blocos centenários, que nasceram nas comunidades, que mantêm viva a identidade cultural da cidade, seguem sendo ignorados, como se não existissem. Jumenta Parida, Bloco do Cacique, Bloco da Ilha, entre tantos outros, estão fora do Carnaval um Carnaval que se diz “do povo”, mas que não ouve o povo.
A mobilização contou com a presença de Carlos Jonas, membros da Comissão de Carnaval, do professor Adriel Santos, presidente da comissão dos Blocos Alternativos de Rua, além de Thiago Guterres e Carlos Lago, todos unidos por uma indignação legítima: o Carnaval de São Luís está sendo descaracterizado, elitizado e entregue a interesses que não dialogam com a cultura local.
O mais revoltante é o silêncio. Até agora, o secretário de Estado da Cultura, Yuri Arruda, não recebeu o movimento. O governador Carlos Brandão também não. O Governo do Estado segue fingindo que não vê, não ouve e não reconhece os artistas locais e os blocos alternativos de rua. É uma exclusão consciente, política e repetida.
Não se trata de favor. Não se trata de “ajuda”. Trata-se de direito cultural, de respeito à história e à memória do povo maranhense. O Carnaval de São Luís não nasceu em grandes palcos, nem em contratos milionários. Ele nasceu nas ruas, nos bairros, nas comunidades, no batuque, na criatividade popular e na resistência.
Enquanto o Governo do Estado insiste em excluir, silenciar e empurrar para fora quem construiu esse Carnaval, os Blocos Alternativos de R
ua seguem fazendo o que sempre fizeram: ocupando as ruas, levantando a voz e lembrando que cultura não se apaga por decreto.

