23/05/2024

Bolsonaro escolhe o pastor Milton Ribeiro para o MEC

A novela para a nomeação do novo ministro da Educação parece ter chegado ao fim. O presidente Jair Bolsonaro escolheu Milton Ribeiro, membro da Comissão de Ética Pública da Presidência e pastor da Igreja Presbiteriana, para o Ministério da Educação. Ele é ligado à Universidade Mackenzie, advogado e apresenta no currículo doutorado em Educação pela Universidade de São Paulo.

Segundo aliados, Milton Ribeiro era o favorito do presidente entre os cotados para o cargo. A confirmação do convite foi feita pelo presidente em postagem nas redes socais, assim como havia feito com Carlos Alberto Decotelli.

O MEC está sem titular desde a saída de Abraham Weintraub no último dia 18, após o governo ser pressionado a fazer um gesto de trégua ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Bolsonaro chegou a nomear o professor Carlos Decotelli como ministro, mas ele não tomou posse, após polêmicas envolvendo o seu currículo.

Convidado para o cargo, o secretário de Educação do Paraná, Renato Feder, desistiu por conta de resistência das alas ideológica e militar do governo.

QUEM O NO NOVO MINISTRO ?

Depois de quase um mês sem ministro da Educação e de diversas polêmicas envolvendo nomes visados para o cargo, o presidente Jair Bolsonaro anunciou um novo nome para a pasta: o professor e pastor da Igreja Presbiteriana Milton Ribeiro. Teólogo e advogado, Ribeiro é ex-vice-reitor da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Nomeado na sexta (10) como novo ministro pouco depois do anúncio via redes sociais, Ribeiro já fazia parte do governo: é membro da Comissão de Ética Pública ligada à Presidência desde junho. Se nomeado formalmente, será o quarto ministro da Educação em um ano e meio de governo Bolsonaro.

O primeiro, Ricardo Vélez Rodríguez, deixou o cargo em abril após uma gestão marcada por crises e polêmicas, sendo a última uma entrevista em que afirmou pretendia mudar a forma como o golpe de 1964 e a ditadura militar são retratados nos livros didáticos.

Velez foi substituído por Abraham Weintraub, que se tornou um dos ministros mais beligerantes do governo e acabou saindo em meio a tensões com o Supremo Tribunal Federal, após ser gravado se referindo aos ministros do STF como vagabundos. “Por mim botava esses vagabundos todos na cadeia. Começando no STF”, disse em reunião ministerial.

Ribeiro foi escolhido após a saída do terceiro ministro, Carlos Alberto Decotelli, que foi nomeado mas não chegou a assumir devido a um crescente mal-estar causado por uma série de informações falsas descobertas em seu currículo.

A pasta não informou quando será sua cerimônia de posse.

Apoiado por evangélicos

Com graduação em teologia e doutorado em educação pela USP (Universidade de São Paulo), Ribeiro foi ex-vice-reitor do Mackenzie e consta em seu currículo lattes que chegou a atuar como reitor em exercício.

Ribeiro, que continua ligado à universidade, tem a indicação apoiada por entidades evangélicas como a Anajure (Associação dos Juristas Evangélicos).

“Tem um perfil que gostamos porque ao mesmo tempo em que tem sólidos valores morais, é um técnico com bastante experiência, e tem doutorado na área”, diz Uziel Santana, presidente da Anajure.

Santana diz que “a vocação pastoral de Ribeiro facilita com que ele saiba dialogar e compreender” e refuta preocupações de que um ministro da Educação pastor vá empurrar uma agenda evangélica na educação ou ser intolerante com outras religiões.

“Movimentos minoritários vão se surpreender com a capacidade de diálogo dele. Ele é presidente dentro do Mackenzie da comissão de liberdade religiosa e é uma pessoa de diálogo, faz um excelente trabalho”, opina Santana.

Além de teólogo e pastor com especialização em antigo testamento, Ribeiro também é diretor da instituição que cuida da relação da Igreja Presbiteriana do Brasil com a mídia, a Luz para o Caminho, segundo seu currículo Lattes.

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