25/02/2024
Sem categoria

Compositores maranhenses são prejudicados na seletiva do samba-enredo da Escola de Samba Beija-Flor (*)

Quatro dias depois da etapa maranhense da seletiva do samba-enredo da Escola de Samba Beija-Flor/2012, uma notícia joga um balde de água fria nas expectativas dos compositores vencedores e de todas as torcidas. A viagem para o Rio de Janeiro, marcada para esta quinta-feira, que inicialmente teria como objetivo apresentar os sambas maranhenses à bateria da escola carioca, de última hora virou uma viagem para mais uma eliminatória, com a participação dos três sambas selecionados em São Luís, no último dia 17. O problema não está em se participar de mais uma eliminatória, pois temos sambas bons e competitivos, mas sim no fato desta informação ter sido ocultada dos compositores até o último momento. O próprio Secretário de Cultura do Estado, em reunião coletiva, realizada na manhã do dia 21, foi taxativo em dizer que esta viagem seria apenas para familiarizar a bateria da escola com os sambas vitoriosos aqui no Maranhão. Diante desta situação, temos duas hipóteses, ambas graves:

1 – A Beija-Flor agiu de má-fé, sonegando informações claras à Secretaria Estadual de Cultura;
2 – A equipe da Secretaria Estadual de Cultura não teve competência para se inteirar acerca de todo o processo seletivo. As duas hipóteses nos faz pensar que todo o processo de seleção dos sambas maranhenses não passou de um teatro, de um engodo, de um jogo de cartas marcadas, de uma grande encenação, com o objetivo de se dá uma satisfação aos maranhenses pelos milhões de dinheiro público doado à escola de samba carioca. A Escola de Samba Beija-Flor, para quem ainda não sabe, em 2012 estará homenageando a cidade de São Luís, pelos seus 400 anos, estruturando o seu desfile com dinheiro público dos contribuintes maranhenses. A única coisa que se esperava era um mínimo de respeito para com os nossos compositores. Esperava-se uma disputa justa, imparcial, sem truques e sem armações. Mas não é isso que se concluiu pelo desenrolar dos acontecimentos. A eliminatória desta quinta-feira (22) foi ocultada até o último momento, não se sabe se de todos os envolvidos. Os compositores maranhenses certamente não sabiam. O Secretário de Cultura já disse que não há dinheiro para levar todos os compositores e todos os músicos que os acompanharam na eliminatória do último dia 17. Apenas três representantes de cada samba classificado estarão viajando para o Rio. Toda aquela estrutura da eliminatória maranhense está descartada, como se ela fosse dispensável, mesmo sendo imprescindível para uma apresentação competitiva. Por outro lado, nosso Secretario de Cultura não mediu esforços para trazer grande comitiva da Beija-Flor por conta de mais dinheiro público. Em nenhum momento se ouviu falar de falta de dinheiro. O que falta, na verdade, é maior respeito e consideração aos nossos conterrâneos.

Fomos tratados como marionetes e isso deve ser levado a público. A Escola de Samba Beija-Flor e a Secretaria de Cultura do Estado do Maranhão devem uma explicação aos nossos artistas e ao público maranhense. Essa situação deve ser muito bem esclarecida. Quem errou que assuma o seu erro. Esse é o dever legal de quem administra dinheiro público e de quem se beneficia do mesmo. É isso que esperamos dos responsáveis por essa lamentável situação. Contudo, por outro lado, acredito e confio no sucesso do nosso talento. Nossos compositores, mesmo com um apoio fajuto do nosso governo, estão levando nas malas algo bem mais importante que dinheiro. Falo aqui do talento de cada um e da qualidade das nossas três composições. São esses elementos que irão mostrar à nossas autoridades e a quem mais interessar que a arte e o belo, mesmo sem apoio, são soberanos. Boa sorte aos meus amigos e concidadãos.

(*) Carlos Cuíca (Antônio Carlos Araújo Ferreira), compositor e músico

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.