20/01/2026

Confira os enredos de 2022 das Escolas de Samba do Grupo Especial do Rio

Apesar do cancelamento do carnaval de 2021, todas as agremiações já possuem enredo definido para o desfile do próximo ano

Este ano o Sambódromo ficou vazio. A iluminação com as cores das escolas de samba deixa no sambista grande saudade, mas leva esperança por um carnaval em 2022 com segurança e saúde. Tradicionalmente, na sexta-feira anterior ao início da folia, o prefeito entrega a chave da cidade para o rei Momo. Desta vez, devido a pandemia, o Rei Momo passou a chave ao prefeito que, na sequência, a entregou para duas profissionais da Rede Municipal de Saúde, Adélia Maria dos Santos e Joelma Andrade.

Em sua rede social, o prefeito Eduardo Paes (democratas) mostrou-se triste, porém confiante. É com esse sentimento que as escolas de samba do Rio aguardam 2022 para levar para avenida seus enredos. O tom crítico e de retorno às origens da cultura afro, prevalece entre as agremiações do grupo especial.

A campeã Unidos do Viradouro levará para avenida o enredo “Não há tristeza que possa suportar tanta alegria”. Desenvolvido pelos carnavalescos Marcus Ferreira e Tarcísio Zanon, a vermelha e branca de Niterói contará como foi o carnaval de 1919, quando os foliões foram às ruas para comemorar o fim da gripe espanhola, que resultou no considerado maior carnaval do século 20. O enredo é inspirado no livro “O carnaval da guerra e da gripe”, do escritor e jornalista Ruy Castro. Por este motivo, a escola pretende fazer um paralelo do sentimento dos cariocas no ano de 1919, com o carnaval de 2022, em que se acredita poder, finalmente, comemorar o fim da pandemia da Covid-19.

Já a vice-campeã, Grande Rio aposta novamente em enredo religioso de matriz africana. “Fala, Majeté! Sete Chaves de Exu”, dos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora. A escola de Caxias levará para avenida as histórias e manifestações artísticas e culturais do orixá, e com isso, mais uma vez, agora de maneira indireta, a agremiação pretende combater o preconceito religioso e dar voz aqueles que foram historicamente impedidos de falar. Para isso, o enredo será divido em sete momentos, dentre eles os fundamentos africanos de Exu, mostrando sua relação com o mito do Zumbi.

“Batuqe ao caçador” é o enredo da Mocidade Independente de Padre Miguel. Ideia original do jornalista e pesquisador Fábio Fabato, que tem o Oxóssi, padroeiro da escola como tema central, que no sincretismo religioso é São Sebastião, será desenvolvido pelo carnavalesco Fabio Ricardo. O enredo com temática afro é esperado há tempos pela comunidade da zona oeste. Nas palavras da sinopse da agremiação é um “Enredo dedicado aos ritmistas de ontem, de hoje e de sempre que compõem a alma de nossa escola…”

O Baobá, árvore gigantesca e milenar de origem africana será o norte do enredo da Portela. “Igi Osè Baobá” dos carnavalescos Renato Lage e Márcia Lage vai contar a história e a simbologia da árvore, conhecida como árvore da vida. A planta representa resistência e por isso, o seu legado cultural e sua relevância também serão contados por meio da ancestralidade, identidade, memória e religiosidade. A azul e branco de Madureira ainda irá abordar a questão dos escravos vindos para o Brasil e sua relação com a árvore.

Última escola a divulgar seu enredo, a Estação Primeira de Mangueira prestará homenagem à três grandes nomes da escola: o compositor e fundador da verde e rosa, que inclusive escolheu suas cores, Cartola; o intérprete de voz inconfundível Jamelão, e o mestre-sala Delegado. Intitulado “Agenor, José e Laurindo”, nomes de batismo dos baluartes, o enredo de Leandro Vieira busca valorizar os saberes e artistas populares da comunidade mangueirense, em momento propício, uma vez que 2021 acontece o centenário do Mestre Delegado. A Mangueira pretende, ainda, fazer uma espécie de reparação em sua história, pois não prestou homenagem aos outros dois grandes nomes do enredo e passaram em branco em seus centenários.

Outra agremiação que irá prestar homenagem a um artista da comunidade é a Unidos de Vila Isabel. Em enredo carregado de emoção “Canta, canta, minha gente! A Vila é de Martinho” dispensa explicações por se tratar de um dos nomes mais emblemáticos, que integra a agremiação desde 1965. O enredo esperado há tempos pela comunidade será desenvolvido pelo carnavalesco Edson Pereira, que terá aresponsável pela missão de exaltar o trabalho do cantor, compositor, músico e escritor. O enredo contará ainda, a história de amor entre a Vila e Martinho, que atualmente é presidente de honra da escola, já foi diretor de carnaval, compositor e intérprete.

“Meninos eu vivi… Onde canta o sabiá, onde cantam Dalva e Lamartine” é o enredo da Imperatriz Leopoldinense, que vai homenagear o carnavalesco Arlindo Rodrigues, que completaria 90 anos em 2021 e faleceu no ao de 1987 e ajudou a escola a conquistar campeonato em 1981 com o enredo “O teu cabelo não nega”, reeditado pela escola em 2020 como “Só dá Lalá”, em que novamente lhe rendeu o campeonato, dessa vez da Série A. A missão caberá a carnavalesca Rosa Magalhães, que irá relembrar os trabalhos de Arlindo e com isso, fazer uma reverência a Dalva de Oliveira Lamartine Babo, ícones do carnaval do Rio.

acadêmicos do Salgueiro, seguirá na abordagem da negritudeCom o enredo “Resistência” desenvolvido por Helena Theodoro e pelo carnavalesco Alex de Souza, a escola vai mostrar como o povo negro lutou para preservar sua cultura, sobrevivência e fé. A vermelho e branco também vai abordar a questão da abolição da escravidão, em partilhar no Rio e a suas consequências, que acabaram não possibilitando melhorias sociais. A proposta da agremiação é demonstrar e comprovar que os negros apesar de libertos, ficaram sem moradia, emprego e os demais problemas em consequência à este processo, que persistem até os dias de hoje.

Na mesma linha é o enredo da Beija-Flor de Nilópolis‘Empretecer o pensamento é ouvir a voz da Beija-Flor’, é uma abordagem antirracista e de exaltação de pensadores negros e da própria comunidade. O intuito da deusa da passarela é falar de igualdade. Para isso, o jornalista João Gustavo Melo, autor da sinopse do enredo, levou em conta referências bibliográficas de obras de personalidades negras como o jornalista e sociólogo Muniz Sodré, a filósofa e escritora Djamila Ribeiro, a jornalista e economista Flávia Oliveira e o cantor e compositor Emicida.

Paraíso do Tuiuti vai levar para avenida um enredo voltado para a proteção e defesa dos animais. Do carnavalesco Paulo Barros, “Soltando os bichos”a escola vai mostrar a questão ecológica, focando na preocupação com o futuro do planeta. Apesar da ótica séria envolvendo a proteção dos animais, a agremiação de São Cristóvão pretende abordar a temática de maneira leve e lúdica, partindo do ponto de vista das crianças. O enredo é um chamado para necessidade da harmonização da convivência entre os homens e os animais.

“Wanarã – a reexistência vermelha” é o enredo da Unidos da Tijuca. Desenvolvido pelo carnavalesco Jack Vasconcelos, o objetivo da escola do Borel é contar a história da lenda do guaraná, uma das mais populares da cultura brasileira e da formação do povo indígena Sateré Mawé. A proposta é levar uma mensagem de renovação, de reinvenção. De acordo com o carnavalesco, “é a sabedoria ancestral indígena que fala para todas as gerações”.

São Clemente pretende passar uma mensagem positiva envolvendo a solidariedade, respeito e generosidade. O enredo “Ubuntu”, filosofia africana de origem nos povos Bantu significa humanidade e trata da relevância dos laços entre as pessoas. Desenvolvido pelos carnavalescos João Vítor Araújo e Tiago Martins em parceria com o historiador Marcos Roza, o enredo da agremiação tem como essência a abordagem da busca pelo bem-estar coletivo.

Com todos os enredos do grupo especial escolhidos os artistas populares e sambistas aguardam ansiosamente pelo retorno das atividades nas quadras, nos barracões e nas ruas da cidade. O Rio é do samba, das comunidades, dos tantãs, dos tamborins. O que as agremiações esperam é ver o sambódromo lotado e festejando o momento maior da preparação de todo seu trabalho desenvolvido ao longo do ano.

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