25/09/2026

COTEATRO estreia espetáculo “Um Boêmio no Céu” neste sábado (26), em São Luís

Lançamento independente marca a terceira montagem da peça-poema do célebre autor maranhense, sob direção de Tácito Borralho

Em celebração ao legado do poeta, compositor e dramaturgo maranhense Catullo da Paixão Cearense (1863–1946), o grupo COTEATRO estreia no próximo dia 26 de setembro o espetáculo “Um boêmio no céu”. A montagem, que entra em cartaz no CO-Teatro de Bolso, no Centro Histórico de São Luís, resgata a farsa poética idealizada pelo autor e chega aos palcos de forma independente, movida pela resistência cultural e pela aposta na formação de público local.

A iniciativa começou em 2023, ano em que se completaram 160 anos do nascimento do artista. Após enfrentar entraves de financiamento público e falta de aprovação em editais oficiais de cultura, a companhia decidiu dar continuidade ao projeto por conta própria, culminando na temporada de 2026.

História e trajetória do texto

Com registros históricos que remetem a uma transmissão via rádio em 1945 e críticas da imprensa publicadas em 1946, a obra tem cerca de oito décadas de existência. Misturando o tom de farsa e comédia à poesia, o texto aborda a chegada de uma alma boêmia ao Paraíso, carregando consigo apenas a simplicidade e o violão.

Esta é a terceira montagem do texto de que se tem notícia na história do teatro brasileiro. A primeira encenação foi realizada em 1975 pelo grupo LABORARTE, também sob a direção de Tácito Borralho. A segunda ganhou os palcos do Rio de Janeiro no início do século XXI, sob a condução do ator e diretor José Mayer.

A atual versão da COTEATRO busca preservar o brilho e a essência dramatúrgica originais de Catullo da Paixão Cearense, aplicando cortes pontuais no texto apenas para dinamizar a compreensão da trama pelo público contemporâneo.

Ao longo de décadas, a produção dramatúrgica e poética de Catullo recebeu elogios de importantes nomes da literatura e da crítica nacional, como Humberto de Campos — que o definiu como o “Homero brasileiro” —, Procópio Ferreira, Gastão Pereira da Silva, Murilo Araújo e Eduardo Vitorino.