21/05/2024
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Crise na Grécia:milhares protestam nas ruas

Em meio a um dos dias mais conturbados desde o início da crise, o Parlamento da Grécia aprovou nesta quarta-feira um novo plano de austeridade que prevê uma economia de até € 28 bilhões (R$ 63 bilhões) aos cofres públicos por meio de cortes de gastos e aumento de impostos até 2015. Nas ruas, milhares de jovens atearam fogo a prédios públicos em violentos protestos que levaram quase 200 a hospitais da capital.

Demonstrando clara rejeição aos cortes ainda mais intensos do que os implementados até o momento, manifestantes foram às ruas de Atenas e entraram em conflito com policiais.

Ao menos 192 foram tratados em hospitais locais por problemas respiratórios em função das bombas de gás lacrimogêneo lançadas pela polícia. Outros 25 jovens ficaram feridos e ao menos 40 policiais sofreram ferimentos leves.
Concentrados na Praça Syntagma (Constituição, em grego), os manifestantes atearam fogo a uma agência de correios e atacaram também a sede do Ministério das Finanças, localizados na região. Um hotel de luxo no entorno do local decidiu retirar todos os hóspedes. Os bombeiros disseram que não poderiam conter o fogo por conta da violência.

Num voto apertado, o pacote foi aprovado com 155 votos a favor, 138 contra e sete abstenções ou faltas. O governo precisava de uma maioria simples, de 151 dos 300 votos da Casa. Membros da oposição questionaram se o governo tem condições de arcar com as consequências das medidas para a sociedade.

Os cortes eram exigidos para que a quinta parcela –no valor de € 12 bilhões– de um pacote de € 110 bilhões fosse liberada para o país. Um segundo pacote de € 110 bilhões já foi solicitado pelo governo grego.

O recém nomeado ministro das Finanças, Evangelos Venizelos, defendeu a repressão aos protestos e saudou os cortes que possibilitam a continuidade do resgate financeiro negociado com a União Europeia (UE), FMI (Fundo Monetário Internacional) e Banco Central Europeu (BCE).

“A polícia tem o dever de proteger a lei e a ordem e reprimir todas as provocações violentas”, disse em pronunciamento aos parlamentares.

Nas ruas, o sentimento era de revolta. “Isto é ruim, o país será vendido por um pedaço de pão. Havia muitas outras maneiras mais apropriadas de lidar com isso. Mais uma vez o Parlamento nos traiu”, disse Dimitris Kostopoulos, 48, corretor de seguros.

“Continuaremos os protestos até o governo cair, e cairá”, disse a estudante Thanas, 22. “Está um caos aqui, mas vamos ficar não importa o que aconteça, vamos lutar para recuperar a praça”, acrescentou.

RESGATE FINANCEIRO

A aprovação era esperada pelo mercado financeiro, em especial o europeu, que acompanhou o voto com atenção e preocupação –caso as medidas não fossem aprovadas, a Grécia não receberia o dinheiro necessário para evitar um calote da dívida que afetaria toda a zona do euro e que poderia chegar tão cedo quanto mês que vem.

O pacote era defendido há meses pelo governo, que enfrentou greve geral, manifestação e violência nas ruas de Atenas contra os novos cortes.
O premiê grego, Georges Papandreou, se comprometeu nesta quarta-feira a fazer todo o possível para evitar o impacto da dívida do país.

“Não há plano B para salvar a Grécia”, insistiu Papandreou na tribuna do Parlamento. “Faremos tudo para evitar ao país o que supõe a bancarrota”, declarou, ao recordar o risco de que, neste caso, não poderiam ser pagos salários ou aposentadorias.

A maioria governamental se viu escorada pela deserção de uma deputada da conservadora Nova Democracia, que abandona a disciplina de partido e votará a favor do plano de ajuste. A isso se une a mudança de opinião de um dos deputados dissidentes da formação governamental socialista.

“A votação é crucial para o futuro da Grécia e da Europa, e não posso assumir a responsabilidade que meu país empobreça nem a derrubada da UE”, afirmou o deputado Thomas Rombopoulos durante o debate parlamentar prévio à votação.

O plano de austeridade proposto pelo governo socialista inclui privatizações, novos impostos sobre renda e propriedades e cortes de salários e aposentadorias –incluindo € 6,5 bilhões em aumentos de impostos e cortes de gastos estatais ainda neste ano.

Está prevista também a redução da força de trabalho do setor público em 25%, ao mesmo tempo que será elevada a 40 horas semanais a carga de trabalho e serão estipulados novos contrato com um salário mínimo de € 500 euros.

A Grécia, uma das mais afetadas pela crise da dívida europeia, já recebeu em 2010 um pacote de resgate de US$ 160 bilhões da União Europeia e do FMI. O país, contudo, não conseguiu cumprir as metas fiscais previstas.

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