Novos caminhos para o Turismo Sustentável – A Universidade Federal do Maranhão (UFMA), por meio do Curso de Turismo (Campus São Luís) , participou da equipe de trabalho, formada ainda pela Rede Brasileira de Trilhas, Coordenação Estadual de Trilhas/MA, ICMBio Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses e guias locais, que realizaram a segunda etapa de sinalização da Trilha Amazônia Atlântica e da Travessia do Lençóis. Maior trilha da América Latina, a Trilha Amazônia Atlântica inicia no Centro histórico de Belém e segue até a sede do município de Santo Amaro do Maranhão, interligando a Travessia dos Lençóis Maranhenses.
No polo Munim, foi sinalizado o trecho de Icatu e no polo Lençóis e Delta, Santo Amaro, Barreirinhas, Humberto de Campos e Primeira Cruz. A professora Mônica de Nazaré Araújo, do curso de Turismo da UFMA, informou que “participar do trabalho de sinalização da Trilha Amazônia Atlântica foi um aprendizado valioso. Mais do que demarcar caminhos, essa atividade contribui para a estruturação de um importante produto turístico, capaz de conectar visitantes à natureza, à cultura e à história do território”, disse a docente.
“A sinalização promove mais segurança, acessibilidade e autonomia aos usuários, além de valorizar os atrativos existentes ao longo do percurso. Iniciativas como essa demonstram como o turismo pode contribuir para a conservação dos recursos naturais e às comunidades”, concluiu. O presidente da Rede Brasileira de Trilhas, Júlio Meyer Júnior, destacou que a Trilha Amazônia Atlântica é um ambiente de cooperação interinstitucional.
“Voluntários, órgãos públicos e iniciativa privada atuam juntos em prol da valorização e conservação do nosso patrimônio natural e cultural dessa região riquíssima. E a equipe do curso de Turismo da UFMA, é um exemplo dessa parceria. Cada vez mais, temos certeza de que o Pará e o Maranhão são parte do mesmo território, onde a floresta amazônica encontra o Oceano Atlântico, duas das principais riquezas do país”, concluiu o presidente.
O coordenador da Rede Trilha Maranhão, Marcus Osírio Siqueira, ressaltou a relevância da sinalização da Trilha Amazônia Atlântica em Primeira Cruz e Humberto de Campos. “Foram dias intensos de trabalho em parceria com o ICMBio, UFMA e a coordenação Trilhas Amazônia Atlântica, garantindo padronização e segurança. A sinalização no Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses com a marca (pictografia) daquela Unidade de Conservação, que é a pegada com a tartaruga Pininga”, finalizou.
A sinalização no PARNA Lençóis Maranhenses fortalece o turismo sustentável, valoriza os guias e condutores e integra comunidades promovendo desenvolvimento em áreas naturais. Guia local e morador da região, Thor dos Lençóis, observou que “é muito importante ter a oportunidade de apresentar os Lençóis Maranhenses de forma autêntica, compartilhando suas paisagens impressionantes, sua cultura, história e o modo de vida das comunidades que vivem no parque. O turismo, quando realizado com responsabilidade, é uma ferramenta importante para a conservação ambiental e para a geração de renda, fortalecendo o vínculo entre as pessoas e esse patrimônio natural único”, concluiu o morador.
Para o estudante do curso de Turismo da UFMA, Jonas Silva de Pinho Campos, a experiência de ter participado dessa missão foi singular. “Tanto pessoal, já que foi minha primeira visita aos Lençóis Maranhenses, quanto acadêmica, foi muito produtiva. A partir do momento que saímos de São Luís pude perceber o quanto estava aprendendo e revendo em mente os conceitos teóricos aprendidos em sala de aula, pois para compreender o turismo é necessário ser também turista”, disse.
“E como turista-acadêmico, acompanhado de representantes da Rede Brasileira de Trilhas, ICMBio, e da minha professora, Mônica Araújo, aprendi a confeccionar placas de sinalização usando materiais específicos e colocá-las de modo organizado para melhor sinalizar os percursos definidos pelo guia no Parque. Todos puderam exercer práticas de bom convívio, como por exemplo, hospitalidade, companheirismo, colaboração e união de grupo para alcançar um objetivo maior que foi realizar a sinalização da trilha”, afirmou.
“Ao longo do deslocamento da equipe, ficou evidente as belezas naturais da região dos Lençóis, que é um importante produto turístico que possuímos no Estado e por isso deve receber atenção de planejamento, organização e conservação”, concluiu o discente. Segundo o Coordenador de Uso Público do PARNA Lençóis Maranhenses, Cláudio Pereira, a integração da Trilha Amazônia Atlântica à Travessia dos Lençóis Maranhenses consolidou a Rota das Comunidades da Restinga, conectando saberes e territórios.
“Nesse processo, a Rede Brasileira de Trilhas, a coordenação local e trilhas e a UFMA tiveram atuação decisiva na região, articulando atores locais e gestores públicos para oficializar um corredor de conectividade entre o Parque Estadual do Utinga e o PARNA Lençóis Maranhenses. O trecho une biomas e culturas por meio de modais interconectados — caminhada, bicicleta, embarcações e veículos — valorizando as comunidades tradicionais. O resultado é mais que uma trilha: é um eixo de conservação, turismo de base comunitária e mobilidade sustentável no Norte e Nordeste”, concluiu o gestor.


